Da redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada. A decisão ocorreu após a produção de um relatório interno da corporação utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade no caso do Banco Master e do INSS, segundo informações oficiais.
A Segunda Turma do STF formou maioria para confirmar o afastamento de Rodrigues e Almada com os votos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O ministro Gilmar Mendes pediu vista, mas sua solicitação não impede os efeitos da medida. O relatório interno da Polícia Federal, usado como base para a investigação, foi elaborado após Mendonça retirar o sigilo de outro documento da corporação que cita Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Especialistas ouvidos afirmam que, apesar das investigações sobre Moraes prosseguirem, Mendonça teria extrapolado suas competências ao determinar diretamente à Polícia Federal a identificação do interlocutor de Vorcaro, sem submeter o tema ao plenário do Supremo. As crises recentes na instituição relembram episódios do governo Jair Bolsonaro, como a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da corporação em ato que levou ao pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça.
Durante a gestão Bolsonaro, a Polícia Federal passou por sucessivas trocas de comando e episódios de interferência, notadamente na superintendência do Rio de Janeiro, em meio a investigações envolvendo Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro. O caso das rachadinhas foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas teve as provas anuladas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, encerrando a apuração sem abertura de processo criminal.





