Início Distrito Federal Agefis detalha as mudanças que ocorrerão na orla do Lago Paranoá

Agefis detalha as mudanças que ocorrerão na orla do Lago Paranoá

20150819010918A desocupação da orla, que gerou impasse entre o governo e a Associação dos Amigos do Lago Paranoá (Alapa), continua dividindo opiniões.

A desocupação da orla do Lago Paranoá já tem data e local para começar, como mostrou a matéria do Jornal de Brasília publicada ontem. Marcada para a próxima semana, inicialmente, na QL 12 do Lago Sul – onde está localizada a Península dos Ministros – e na QL 2 do Lago Norte, a desobstrução da margem, no entanto, ainda é motivo de dúvidas. Na prática, o que muda? O que será retirado e o que permanece são alguns dos questionamentos da população.

A Agefis detalha as mudanças previstas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para as primeiras áreas a serem modificadas na próxima semana. “Além da retirada de cercas e muros, a ciclovia que existe na Península será ampliada até o Parque da Asa Delta”, afirma a assessoria. Todas as alterações estão no plano de fiscalização e remoção de construções e instalações erguidas na Área de Preservação Permanente (APP) do Lago Paranoá, que prevê a remoção de obstáculos da margem em três etapas.

Diante disso, a desocupação foi definida da seguinte maneira: a primeira etapa abrange as áreas que já são, quase que totalmente, ocupadas pelos brasilienses, facilitando a intervenção da Agefis, que terá 120 dias para concluir essa fase. Em seguida, será a vez das áreas parcialmente ocupadas e, por fim, o restante da orla, ou seja, os locais com o menor acesso dos visitantes. Na segunda etapa, a autarquia terá 240 dias para finalizar toda a ação e, na terceira, 480.

Polêmica

A desocupação da orla, que gerou impasse entre o governo e a Associação dos Amigos do Lago Paranoá (Alapa), continua dividindo opiniões. O professor Carlos Fernando Oliveira, 50 anos, morador do Lago Sul há mais de 30, é absolutamente contrário à mudança.

Segundo ele, a preservação da margem e a segurança dos moradores são algumas das preocupações. “No fundo da minha casa está o Parque da Asa Delta, que está super conservado. Acredito que se, de fato, houver a desocupação teremos uma grande devastação de toda a margem. As residências sujam muito pouco em relação ao que podem fazer com a orla se não houver fiscalização, cuidado e educação da população”, afirma o professor.

Opiniões se mantêm divididas

O morador do Lago Sul Carlos Fernando Oliveira ressalta o possível aumento da violência. “Uma orla toda aberta é um prato cheio para os bandidos, pois as casas são muito visadas devido ao alto poder aquisitivo dos moradores da região”, completa Carlos, questionando a intenção do governo.

“As regras precisam valer para todo mundo, inclusive, para os clubes e o Pontão. Por que só os moradores precisam perder tudo o que construíram? E o governo vai  conseguir conservar a orla e fazer a manutenção das construções que passarão a ser públicas?”, finaliza ele, ressaltando ainda a falta de estrutura, como banheiros, em locais que já são abertos ao público.

Casal a favor

Por outro lado, o casal de moradores do Lago Norte César Munhoz, 53 anos, e Cristina Vieira, 58, afirma estar feliz com a desocupação. “Nós sempre caminhamos no parque do Lago Norte e gostamos disso, mas, de repente, a calçada acaba em um muro particular. Sentimos falta dessa continuidade na orla”, afirma o empresário.

Cristina concorda que serão necessárias regras. “A fiscalização será fundamental, principalmente, em relação ao lixo”, conclui a aposentada.

Restrições à beira-lago

Procurada pelo JBr., a Agefis explicou que serão removidos muros e cercas, inclusive as vivas, cobertas por algum tipo de arbusto, construídos em uma faixa de 30 m a partir da orla. O restante, acrescenta a assessoria do órgão, será mantido e passará a ser público. Portanto, píeres, quadras esportivas, piscinas ou outra benfeitoria feita na área poderão ser de uso de todos os brasilienses até que o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do DF (Ibram) decida o que será feito com as edificações.

“A intenção é que toda a orla seja desocupada”, ressalta a Agefis, por meio da assessoria. A autarquia alerta que a margem das quadras da ML do Lago Norte, do Setor de Clubes Esportivos Sul e Norte e do Pontão do Lago Sul não será modificada. De acordo com a agência, o acesso da população ao espelho d´água será por dois pontos: Península dos Ministros e Parque da Asa Delta. “A ideia é que as pessoas possam usufruir de toda a margem. Vale lembrar que, em alguns pontos, com vegetação nativa, serão restritos”, completa o órgão.

 Fonte: Jornal de Brasília