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Agência da ONU relata transmissão de febre amarela em partes da América do Sul


Da redação

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu novo alerta epidemiológico sobre a transmissão sustentada da febre amarela em partes da América do Sul. Somente nas primeiras sete semanas de 2025, foram documentados 34 casos de transmissão humana e 15 mortes em quatro países: Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela. A detecção da doença ocorreu em áreas fora dos tradicionais focos da bacia amazônica, incluindo regiões como o estado de São Paulo, no Brasil, e o departamento de Tolima, na Colômbia.

O alerta da Opas, divulgado em Washington, destaca que o ciclo de transmissão silvestre da febre amarela – envolvendo mosquitos vetores e primatas não humanos – é um fenômeno esperado na região, mas os recentes casos em áreas sem transmissão recente preocupam as autoridades. Desde setembro de 2024, notificações vêm ocorrendo em zonas anteriormente consideradas fora de risco.

Em 2024, sete países da América Latina relataram 346 casos confirmados e 143 mortes: Bolívia (8 casos, 2 mortes), Brasil (120 casos, 48 mortes), Colômbia (125 casos, 46 mortes), Equador (11 casos, 8 mortes), Guiana (1 morte), Peru (49 casos, 19 mortes) e Venezuela (32 casos, 19 mortes). Segundo a Opas, a presença da doença próxima a grandes cidades eleva o risco de transmissão urbana, que pode gerar surtos rápidos devido ao mosquito Aedes aegypti.

A febre amarela apresenta alta taxa de mortalidade e não possui tratamento específico. A vacinação é a principal medida preventiva e uma única dose garante proteção vitalícia. A maioria dos casos recentes ocorreu em pessoas não vacinadas. A recomendação da Opas é manter cobertura vacinal de 95% nas áreas de risco, além do reforço da vigilância epidemiológica e do monitoramento de epizootias em primatas não humanos.

Além disso, a Opas orienta que os países mantenham estoques estratégicos de vacinas e que os viajantes sejam informados e vacinados ao menos 10 dias antes de se dirigirem a áreas com recomendação de imunização.