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Ala do centrão ameaça poder de Motta, que tenta se aproximar de Lula por sobrevivência


Da redação

A possibilidade de crescimento de partidos do centrão nas eleições de outubro ameaça a recondução do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 2027. O deputado, fragilizado desde o motim que paralisou o plenário por 30 horas no ano passado, enfrenta insatisfação entre líderes da Casa, que atribuem a ele parte do desgaste público, principalmente após o debate sobre o aumento do número de deputados. A tensão se aprofundou após atrito com o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL).

Com a perspectiva de bancadas maiores do PSD e União Brasil, a manutenção de Motta no comando da Câmara ficou incerta. O PSD, de Gilberto Kassab, planeja conquistar 100 cadeiras, enquanto União Brasil, de Antônio Rueda, em federação com o PP, mira em 120. Líderes ligados a Motta veem risco real de desequilíbrio no centrão e acreditam que uma reaproximação com o presidente Lula (PT), prevista para 2026, pode ser estratégica para garantir apoio à sua reeleição.

Motta esteve com Lula na terça-feira (13), em evento sobre a reforma tributária. A aproximação com o Palácio do Planalto também visa ampliar o capital eleitoral do paraibano, que planeja lançar o pai, Nabor Wanderley, ao Senado. A Paraíba, onde Lula obteve 64,2% dos votos no primeiro turno de 2022, é estratégica para Motta.

O governo, por sua vez, quer evitar novos embates com a Câmara, após derrotas em 2025, como o engavetamento da MP do IOF e a entrega de relatorias de projetos importantes à oposição. Para Lula, a rápida aprovação de medidas como a MP do Gás do Povo, até 11 de fevereiro, é prioridade e depende da articulação com a Câmara.

Os partidos centrais se preparam para ampliar presença: o PSD busca crescer em estados estratégicos, apostando em governadores recém-filiados e no “voto de estrutura”; já a federação União Brasil-PP, com maior fatia do fundo eleitoral e tempo de TV, pode eleger até 120 deputados, reforçando o desafio à liderança de Motta.