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Alemanha e Otan defendem reforço da defesa europeia após retirada de tropas dos EUA


Da redação

A Alemanha e a Otan defenderam, neste sábado, o fortalecimento da autonomia de defesa europeia após o anúncio dos Estados Unidos, na sexta-feira, sobre a retirada de cinco mil soldados do contingente atualmente baseado na Alemanha. Segundo o Pentágono, a medida deve ser efetivada em um prazo de seis a doze meses.

O anúncio da retirada representa cerca de 15% dos 35 mil militares americanos posicionados na Alemanha. Trata-se de um novo capítulo nas tensões políticas transatlânticas observadas desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA, com críticas frequentes à atuação e aos investimentos dos aliados europeus em defesa.

Boris Pistorius, ministro da Defesa da Alemanha, afirmou que “esperava-se que tropas dos Estados Unidos fossem retiradas da Europa, e também da Alemanha”, minimizando a decisão. Ele acrescentou que “nós, europeus, temos que assumir uma responsabilidade maior por nossa segurança”, ecoando a cobrança americana para maior participação europeia.

A porta-voz da Otan, Allison Hart, declarou que a Aliança está “trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão sobre o dispositivo militar na Alemanha”. Ela ressaltou que o ajuste “ressalta a necessidade de que a Europa continue investindo mais em Defesa e assuma uma parte maior de sua responsabilidade em nossa segurança compartilhada”.

O governo alemão destaca que a presença militar americana atende a interesses mútuos, tanto na dissuasão frente à Rússia quanto na manutenção de operações dos EUA na África e Oriente Médio. Berlim também enfatiza esforços para fortalecer seu próprio Exército após anos de subfinanciamento e aposta na redução da dependência de Washington, especialmente diante das incertezas do cenário internacional.

A Alemanha abriga bases estratégicas para os Estados Unidos, como Ramstein, crucial para operações no Oriente Médio. Em Büchel há armamento nuclear armazenado. Existem ainda o comando para Europa e África em Stuttgart, o campo de treinamento em Grafenwöhr e o centro médico militar em Landstuhl, evidenciando o papel central do país na estrutura de defesa americana na região.