Da redação
Pesquisadores do Google DeepMind lançaram uma ferramenta de inteligência artificial chamada AlphaGenome, capaz de analisar até um milhão de pares de bases de DNA. O novo modelo representa um avanço significativo, ampliando em mil vezes a escala de análise em relação a sistemas anteriores. Segundo estudo publicado na revista Nature, o AlphaGenome prevê com alta precisão como variantes no código genético podem desregular genes e causar doenças.
O AlphaGenome foi treinado com bancos de dados genômicos públicos de humanos e camundongos. A principal inovação está na capacidade de interpretar longos trechos do genoma, indo além dos 2% do DNA que codificam proteínas e decifrando o papel do chamado “DNA lixo”. Em testes, destacou-se ao prever impactos de mutações no gene TAL1, associado à leucemia, e superou ou igualou os melhores modelos existentes em 25 de 26 benchmarks de predição de variantes. “Às vezes parece mágica”, disse Žiga Avsec, geneticista computacional do DeepMind, ao The New York Times.
Modelos anteriores precisavam equilibrar comprimento da sequência com resolução, limitando a precisão das previsões. De acordo com o Google, o AlphaGenome supera essa barreira sem exigir grandes recursos computacionais: o treinamento do modelo levou quatro horas e consumiu metade do orçamento de seu antecessor, Enformer.
Já disponível para a comunidade científica, a ferramenta deve acelerar a descoberta de alvos terapêuticos e o entendimento de doenças raras. O Google destaca que a base aberta permitirá a adaptação do modelo por pesquisadores, que poderão ajustá-lo conforme suas necessidades.
Apesar do avanço, o AlphaGenome possui limitações. O modelo ainda enfrenta dificuldades para avaliar variantes muito distantes dos genes regulados e não deve ser usado para diagnósticos ou tratamentos personalizados. Segundo o Google, o sistema também não cobre todos os aspectos das doenças complexas, influenciadas por fatores biológicos e ambientais.





