Da redação
Durante o Carnaval de São Paulo, vendedores ambulantes enfrentaram dificuldades para garantir lucro diante do aumento da concorrência. Fernando Nogueira, 46, que trabalhou ao lado da mãe, Maria de Lourdes, 66, relatou que apenas começaram a lucrar após o fim da festa, já que até a terça-feira (20) só haviam recuperado o investimento. Neste ano, 15 mil ambulantes foram cadastrados para atuar no circuito, estimulados pelas vagas ampliadas pela prefeitura.
A Ambev pagou R$ 30,2 milhões à gestão Ricardo Nunes (MDB) pelo direito exclusivo de vender bebidas nos desfiles dos blocos, realizados entre 7 e 22 de fevereiro. Os ambulantes, como autônomos cadastrados, compravam os produtos da empresa para revenda. “Acredito que seria mais lucrativo trabalhar como motorista, mas acabo vindo para dar retaguarda à minha mãe”, contou Fernando, que participou pela sexta vez como ambulante no Carnaval.
Segundo relatos, a desorganização prejudicou a atuação dos vendedores, que madrugavam em filas para garantir o acesso ao Ibirapuera e não tinham local adequado para descanso ou banheiro. Houve ainda denúncias de violência por parte da Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana, que teria causado perda de mercadorias e quebra das caixas dos vendedores.
A ambulante Tânia Araújo Soares, 34, afirmou que o aumento dos blocos e dos ambulantes cadastrados reduziu os lucros. “Eu costumava tirar em torno de R$ 8.000 por ano. Desta vez, mal cheguei a R$ 2.000 até agora”, disse. Rose Sena também reclamou do movimento fraco na Consolação, citando problemas logísticos e interferência da marca patrocinadora.
O Ministério Público do Trabalho recomendou em 13 de fevereiro que a prefeitura, secretarias municipais, SPTuris e a Ambev garantissem infraestrutura adequada aos ambulantes. A gestão municipal ressaltou que o cadastro integra a organização do Carnaval, enquanto a Ambev informou seguir as regras do edital e fornecer kits e estrutura previstos em contrato.






