Da redação
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou nesta quinta-feira (28), em Brasília, a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, afirmando que o Brasil rejeita qualquer justificativa para intervenção.
A manifestação de Amorim ocorreu após o anúncio do governo americano classificando as facções brasileiras como terroristas. Pelo entendimento de Washington, a medida busca ampliar mecanismos legais para combater ações dos grupos, principalmente ligadas ao tráfico internacional de drogas e armas. No entanto, autoridades brasileiras viram a decisão com preocupação.
Em nota oficial, Celso Amorim afirmou que “o Brasil não aceita que tal designação sirva de fundamento para qualquer forma de intervenção”. A reação expressa o entendimento do governo brasileiro de que decisões unilaterais de outros países não devem interferir em questões internas nem motivar ações externas no território nacional.
A postura do Itamaraty segue alinhada ao posicionamento habitual do país sobre soberania nacional. O governo federal defende que medidas de combate ao crime devem sempre respeitar a legislação nacional e ser tratadas prioritariamente pelas autoridades brasileiras, sem a imposição de outras nações.
A reação também reflete preocupações sobre possíveis impactos diplomáticos e operacionais, já que o Brasil mantém cooperação com os Estados Unidos em temas de segurança. Autoridades brasileiras avaliam, porém, que o combate às facções deve ocorrer com colaboração, mas sempre sob coordenação do Estado brasileiro.
O Comando Vermelho e o PCC são alvo de investigações no Brasil por envolvimento em crimes como tráfico internacional e organização criminosa. Em situações anteriores, outras autoridades já se manifestaram contra classificações unilaterais feitas por países estrangeiros a grupos nacionais, alegando riscos à soberania do país.





