Preocupação das autoridades eleitorais com as fake news no pleito deste ano é grande. Leo Soltz aponta caminhos para uma disputa justa pelas redes

O ano de 2022 é um importante marco para os brasileiros, já que as eleições presidenciais serão realizadas e o (a) próximo (a) presidente do País pelos próximos quatro anos será definido. Um dos maiores debates das campanhas, porém, não gira em torno de temas como economia ou política, mas sim das ferramentas que podem ser utilizadas para impulsionar a visibilidade de candidatos (as) na internet ou para espalhar notícias falsas. Leo Soltz, CEO da One Big Media, mediatech especializada em impulsionar criadores de conteúdo, sinaliza que, para evitar o uso indevido de redes como o Telegram, Whatsapp, Instagram e demais, será necessário um entendimento grande sobre público, algoritmos, educação e impulsionamento.
Há alguns meses, por exemplo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio do aplicativo russo de mensagens Telegram em todo o Brasil. Entre outras alegações, o ministro apontou que o aplicativo não possuía mecanismos para o combate à desinformação e à divulgação de notícias fraudulentas – as chamadas fake news. Na mesma semana, o ministro revogou a sua decisão e o Telegram foi liberado no Brasil, não antes de determinar um responsável legal no país. O que ficou claro, porém, é que as eleições de 2022 devem ter um olhar muito forte voltado ao uso de redes sociais nas campanhas, com os candidatos e os próprios aplicativos se tornando responsáveis caso não colaborem com o combate à desinformação.
A seguir, Leo compartilha três pontos que devem ser considerados no funcionamento de cada plataforma e como garantir o uso correto delas até o final da eleição.
Algoritmos são os impulsionadores: é preciso saber usá-los
Toda rede social, independentemente de como funcione, tem um denominador comum: o criador de conteúdo, seja ele amador ou profissional, depende do algoritmo para ganhar alcance. Eles são os responsáveis por determinar quais conteúdos e quais páginas têm mais destaque para o público usuário das redes. Algoritmos são desenvolvidos para escolher as notícias mais atraentes aos olhos de cada usuário. Se um determinado usuário gosta de publicar notícias falsas, que tendem a se disseminar rapidamente, o algoritmo vai impulsionar informações semelhantes para que estas cheguem a ele.
Como, então, usar o algoritmo no combate à disseminação de notícias falsas? “Fazendo com que ele atue a favor de notícias verdadeiras”, diz o CEO da One Big Media. “A leitura de pontos de vista contrários aos que estamos habituados, por exemplo, fará o algoritmo trazer novos tipos de informação para o usuário. Dessa forma, ele terá material diversificado em mãos para poder avaliar qual é o conteúdo verdadeiro e qual o falso, que não deve ser disseminado. Outra sugestão é usar os serviços de forma anônima, pois isso impede que as plataformas rastreiem seus conteúdos de interesse, freando um pouco a atuação algoritmica”, comenta Soltz.
“Precisamos conscientizar as pessoas com campanhas institucionais de que, além de termos as notícias disponibilizadas pelas redes sociais, faz-se necessário darmos um passo à mais rumo ao conhecimento, não nos deixando levar apenas por notícias compartilhadas ou primeiras páginas de portais”, acrescenta o CEO. “Agora é a hora de nos posicionarmos, oferecendo informações consistentes para que nossa liberdade de expressão não seja cerceada ou minimamente confundida como Fake News. Recomendo ainda filmes em que esse temário foi bastante destacado como ‘O Dilema das redes’ e ‘A Privacidade hackeada’”, finaliza Soltz.
Ferramentas precisam ter mecanismos de proteção
“Não podemos garantir que todo usuário de uma rede social será ético e correto. O que podemos fazer é criar soluções para que ferramentas e usuários combatam questões como as fake news e até mesmo discursos inflamados em excesso nas redes”, diz o CEO da One Big Media. “Dessa forma, para ter a sua operação validada, um caminho é exigir que as redes tenham a possibilidade de frear esse mau uso. No Twitter, por exemplo, medidas foram implementadas há alguns anos para reduzir problemas que poderiam ser gerados pelo compartilhamento de notícias falsas. O Facebook, por sua vez, tem trabalhado forte para derrubar fake news em suas redes — mais de 1 milhão de conteúdos envolvendo desinformação sobre a pandemia foram retirados do ar desde março de 2020. E o mesmo deve ser feito nas eleições: devemos ver muitas notícias falsas sendo retiradas dessas plataformas ao longo dos próximos meses, como medida que evita a proliferação das informações não verídicas”, comenta Soltz.
Por meio do PL 2.360/2020, o Congresso Nacional vem buscando uma forma de construir elementos para o entendimento algorítmico. A grande pergunta está em até onde tais aplicativos conseguiriam chegar quando se trata de encontrar responsáveis pelas notícias compartilhadas. Chegar rapidamente em quem promove o ato gerador é fundamental para haver menos reverberação sobre o tema, além do fato de que responsáveis poderiam ser julgados civil e criminalmente, evitando assim os movimentos lentos ou até mesmo generalistas que podem retirar do ar opiniões justas.
Redes vieram para ficar; é preciso aprender a lidar com elas
Sete em cada dez brasileiros de idades entre 20 e 65 anos se informam por meio de redes sociais. Elas são ferramentas que cada vez mais têm peso no dia a dia e, a cada quatro anos, também numa eleição presidencial. Logo, é preciso que público, candidatos, tribunais eleitorais e demais interessados numa eleição limpa e transparente, trabalhem para que o bom uso das mídias seja implementado. Um ponto também relevante está em quem fará essa gestão da informação. Ter uma entidade plural atuando em prol do uso adequado das redes sociais seria o ideal, pois evitaria-se os excessos em seu uso e a liberdade de expressão estaria garantida.
“Antes, as eleições se apoiavam muito nos jornais, revistas e na televisão, meios de comunicação de massa que exerciam muita influência sobre a sociedade e possibilitavam viradas durante a corrida. Porém, a forma de consumo da informação mudou. Assim, é preciso repensar as regras e limites que as redes terão ao serem usadas como ferramenta eleitoral, da mesma forma que ocorreu com os demais formatos antes majoritários em campanhas”, reforça o CEO da One Big Media.
Sobre a One Big Media
A One Big Media é uma mediatech especializada em desenvolver e impulsionar creators. A empresa faz parte do grupo eMotion Studios. O modelo de negócios aplicado torna a One Big Media sócia dos canais de creators. A startup possui hoje em seu portfólio mais de 100 canais de diversas verticais, nas principais plataformas, com ênfase no Youtube e Kwai. Um time de especialistas se dedica a impulsioná-los em métricas e metadados e ainda ajudá-los na profissionalização dos conteúdos e co criação, ao mesmo tempo em que oportuniza espaços para campanhas e projetos especiais, sob medida de branded content para marcas nacionais, atingindo assim uma audiência qualificada e de interesse – cobrindo as duas pontas desta jornada. Com os canais proprietários e associados a One Big Media soma mais de 60 milhões de inscritos e mais de 11 bilhões de visualizações. Mais de mil vídeos são publicados por mês, gerando mais de 500 mil novos inscritos e engajamento intenso para os canais da base.







