Início Ciência e tecnologia Anomalias cósmicas de pontos vermelhos intriga cientistas: "Não entendemos"

Anomalias cósmicas de pontos vermelhos intriga cientistas: "Não entendemos"


Da redação

Desde que o Telescópio Espacial James Webb iniciou operações há quatro anos, cientistas se deparam com pequenos pontos vermelhos brilhantes em quase todas as suas imagens. Batizados de LRDs (Luminosas de Resistência a Grandes Lacunas) ou “pequenos pontos vermelhos”, esses objetos desafiam explicações e se tornaram um mistério astronômico. “Esta é a primeira vez na minha carreira que estudo um objeto cuja aparência realmente não entendemos”, afirma Jenny Greene, professora de ciências astrofísicas de Princeton.

As primeiras hipóteses sugeriram galáxias massivas ou buracos negros envoltos em poeira, mas novas observações logo refutaram essas ideias. Greene atualmente acredita que buracos negros em crescimento podem ser o principal componente dessas fontes, enquanto outras teorias apontam para fenômenos ainda mais exóticos, como a morte de estrelas extremamente massivas.

O termo “pequenos pontos vermelhos” foi cunhado em 2024 por Jorryt Matthee, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria. Os LRDs só puderam ser percebidos graças à sensibilidade do James Webb no infravermelho, uma vez que telescópios anteriores, como o Hubble, não tinham capacidade suficiente. Há consenso parcial de que se tratam de buracos negros em crescimento, rodeados por gás hidrogênio, o que justificaria sua coloração intensa.

Em 2023, um programa liderado por Anna de Graaff (Harvard-Smithsonian) catalogou cerca de 40 LRDs por meio do projeto RUBIES. De Graaff identificou um exemplar especialmente intrigante chamado “O Penhasco”, que pode indicar um novo tipo de objeto cósmico, possivelmente a chamada “estrela de buraco negro”, resultado do material luminoso em torno de um buraco negro.

A origem exata dos LRDs segue incerta, mas seu estudo já provoca debates e renovou o interesse sobre a formação de buracos negros supermassivos. “Acho que são a maior surpresa do James Webb. Nos apresentou um novo quebra-cabeça, algo que se parece um pouco com uma galáxia, um pouco com um buraco negro e um pouco com uma estrela”, conclui de Graaff.