Por Alex Blau Blau
Empresária da região do Paranoá relata críticas após divulgar preferência eleitoral em perfil pessoal; estabelecimento funciona desde 2017
Uma comerciante que administra um restaurante nas proximidades do Paranoá, no Distrito Federal, afirma ter enfrentado ameaças de boicote após tornar público seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.
A declaração foi publicada em seu perfil pessoal nas redes sociais, mas acabou compartilhada em grupos de mensagens da região. A repercussão provocou comentários negativos de pessoas que afirmaram que deixariam de frequentar o estabelecimento.
A empresária, que preferiu não se identificar por receio de retaliações, contou que percebeu uma redução no movimento do restaurante no sábado (24), véspera do segundo turno. Na mesma data, foi alertada por um cliente sobre mensagens que incentivavam o boicote ao comércio.
Uma das manifestações recebidas dizia: “Se depender de mim, seu comércio fecha”. Outros comentários continham críticas à posição política da proprietária.
Segundo a comerciante, uma situação semelhante ocorreu nas eleições de 2022, quando uma publicação pessoal também foi compartilhada em grupos da comunidade.
Apesar das reações contrárias, o restaurante recebeu mensagens de apoio de consumidores que elogiaram o atendimento, a comida e os preços praticados.
No domingo (25), o movimento voltou a se aproximar do habitual.
A proprietária acredita que a insatisfação de parte dos clientes seja temporária e espera que o estabelecimento continue sendo procurado pela qualidade dos serviços.
Repercussão ocorre em meio a denúncias eleitorais
O caso foi divulgado em um período de aumento das discussões sobre discriminação motivada por preferências políticas.
Dados apresentados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam 115 denúncias de assédio eleitoral em 2026, envolvendo situações de pressão ou discriminação nas relações de trabalho.
No episódio do restaurante, entretanto, não há informação sobre denúncia formal ou investigação em andamento. Também não foi comprovado que a redução inicial do movimento tenha sido provocada diretamente pelas mensagens de boicote.
A situação expõe os efeitos das divergências políticas sobre as relações entre comerciantes e consumidores, mesmo quando as manifestações eleitorais ocorrem fora do ambiente profissional.



