Por Alex Blau Blau
Complexo em Taguatinga começará a receber secretarias e deverá concentrar parte da estrutura administrativa do Distrito Federal
O Governo do Distrito Federal anunciou que dará início à ocupação do Centro Administrativo de Taguatinga, conhecido como Centrad, complexo que foi concluído há mais de uma década, mas que permaneceu sem utilização efetiva desde sua inauguração. A primeira estrutura a ser transferida para o local será a Secretaria de Obras e Infraestrutura.
A decisão representa uma mudança significativa na gestão administrativa do governo distrital e busca reduzir despesas com aluguéis de imóveis atualmente utilizados por órgãos públicos. Além da Secretaria de Obras, a expectativa é que outras pastas também sejam transferidas gradualmente para o complexo nos próximos meses.
O projeto do Centrad teve início em 2009 por meio de uma parceria entre o governo local e um consórcio privado responsável pela construção da estrutura. O empreendimento foi concebido para concentrar diversos órgãos da administração pública em um único espaço, promovendo maior integração entre as secretarias e redução de custos operacionais.
A inauguração oficial ocorreu em 2014, porém o complexo nunca chegou a funcionar plenamente. Desde então, uma série de impasses jurídicos, administrativos e técnicos impediram sua ocupação. Ao longo dos anos, diferentes governos anunciaram planos para utilizar o espaço, mas nenhuma das iniciativas foi efetivamente colocada em prática.
O contrato original previa investimentos estimados em R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos. Além da construção dos edifícios, o acordo incluía serviços de manutenção, segurança e conservação. As empresas envolvidas também alegam ter investido aproximadamente R$ 1,5 bilhão na execução do empreendimento.
A situação se tornou ainda mais complexa após questionamentos de órgãos de controle e decisões judiciais relacionadas ao contrato. Em 2020, a Justiça determinou a suspensão de repasses financeiros ao consórcio responsável pela obra. Dois anos depois, a parceria foi oficialmente anulada pelo governo.
Mesmo sem utilização, o Centrad continuou gerando custos para os cofres públicos. Com a ausência de ocupação, o governo passou a arcar diretamente com despesas de vigilância e preservação da estrutura, que ao longo dos anos foi alvo de invasões, atos de vandalismo e depredação.
Agora, com a definição da ocupação, o governo aposta na recuperação do projeto originalmente concebido para centralizar a administração pública. A mudança também deverá incluir estruturas estratégicas da gestão distrital, entre elas o gabinete da governadora Celina Leão.
Apesar do anúncio, ainda não foram divulgados os valores que serão investidos para adaptação dos espaços, aquisição de mobiliário e manutenção das instalações após mais de 12 anos sem funcionamento regular. O cronograma completo de transferência dos órgãos também deverá ser detalhado nas próximas etapas do projeto.
A utilização do Centrad encerra um dos capítulos mais longos da administração pública do Distrito Federal e representa uma tentativa de transformar em realidade um empreendimento que permaneceu por mais de uma década como símbolo de obras prontas sem utilização efetiva.




