Da redação
Fundada em 1945, das cinzas da Segunda Guerra Mundial, a ONU chega aos 80 anos mantendo viva a busca por paz, dignidade e igualdade. Sua ligação com Nova Iorque, hoje símbolo global da organização, nem sempre foi tão evidente: a primeira reunião do Conselho de Segurança em solo americano ocorreu em 25 de março de 1946, no Hunter College, Bronx, onde o ginásio foi adaptado para abrigar as sessões e jornalistas trabalharam em uma piscina transformada.
Com a necessidade de espaço maior, a ONU transferiu temporariamente sua sede para uma fábrica de munições em Lake Success, Long Island, em outubro de 1946. Ali, reuniões eram gravadas e transmitidas globalmente, graças à recém-criada Rádio ONU, fundada em 13 de fevereiro de 1946 — data celebrada hoje como o Dia Mundial do Rádio. Uma das primeiras vozes no ar foi a de Eleanor Roosevelt, impulsionadora da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ao crescer, a ONU abrigou a Assembleia Geral em Flushing Meadows, Queens, adaptando uma pista de patinação para realizar sessões até 1950. Nessa época, a organização já reunia 60 Estados-membros. A logística dos encontros internacionais era inédita; transcrições integrais em inglês e francês eram divulgadas mundialmente por assessores de imprensa.
A definição da sede permanente veio em 1947, após uma doação de US$ 8,5 milhões do industrial John D. Rockefeller para a compra de um terreno de 17 acres às margens do East River, em Manhattan. O projeto do edifício contou com arquitetos como Oscar Niemeyer e Le Corbusier, sendo concluído em 1952 e abrigando cerca de 3.000 funcionários.
Hoje, com 193 Estados-membros, a presença da ONU em Nova Iorque simboliza a diversidade e a cooperação internacional. Ao relembrar a história, o embaixador americano Warren R. Austin afirmou: “As Nações Unidas são construídas sobre princípios que sobreviverão ao aço e à pedra de qualquer estrutura.”





