Por Alex Blau Blau
Decisão foi concedida três dias após a prisão do ex-marido; vítima de 24 anos foi encontrada com algemas, cordas e corrente de ferro em um cativeiro em Águas Lindas de Goiás
A Justiça de Goiás concedeu, nesta segunda-feira, 24 de agosto, medida protetiva a Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após permanecer cinco dias em cárcere privado em Águas Lindas de Goiás. O ex-marido da jovem, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso na última sexta-feira, 21, suspeito de sequestrá-la e mantê-la presa no cativeiro.
A decisão ocorre após um histórico de pedidos de proteção envolvendo a vítima e o ex-companheiro. Segundo informações do Tribunal de Justiça de Goiás, uma medida protetiva chegou a ser concedida em dezembro de 2020 pelo período de 180 dias. No ano seguinte, durante um inquérito, Emiliane informou que não pretendia dar continuidade à proteção.
Em 2026, a jovem voltou a procurar a Justiça. Ela relatou episódios ocorridos entre dezembro de 2025 e março deste ano, incluindo danos a uma câmera de segurança, explosões nas proximidades de sua residência e parafusos de seu veículo que teriam sido afrouxados.
Na ocasião, entretanto, a Justiça considerou que não havia elementos objetivos suficientes para relacionar os episódios ao ex-marido. O pedido acabou indeferido, ficando aberta a possibilidade de uma nova solicitação diante do surgimento de fatos concretos.
A situação teve uma mudança dramática na última semana.
Cinco dias em cativeiro
Emiliane desapareceu em 17 de agosto depois de sair para uma consulta. Imagens de câmeras de segurança registraram a jovem deixando o estabelecimento onde havia sido atendida. Segundo a Polícia Militar de Goiás, ela teria sido sequestrada posteriormente pelo ex-companheiro.
O resgate ocorreu cinco dias depois, após policiais da Companhia de Policiamento Especializado do Entorno Oeste abordarem Ailton em via pública. De acordo com a corporação, ele tentou fugir e resistiu à abordagem, mas acabou detido.
A partir da investigação de endereços relacionados ao suspeito, os militares chegaram ao imóvel onde Emiliane estava.
A cena encontrada pelos policiais revelou a gravidade do caso. A jovem estava presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também utilizava uma máscara no rosto que, segundo as informações da ocorrência, teria sido colocada para impedir que seus gritos fossem ouvidos por vizinhos.
Após ser libertada, Emiliane relatou aos policiais que também teria sido vítima de violência sexual durante o período em que permaneceu no cativeiro.
No imóvel, foram apreendidos uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes, sedativos e um veículo.
A Justiça manteve a prisão de Ailton após audiência de custódia. Nesta segunda-feira, policiais militares estiveram na residência da jovem para orientá-la sobre a medida protetiva recém-concedida.
As circunstâncias do sequestro, do cárcere privado e das demais denúncias apresentadas pela vítima continuam sob investigação da Polícia Civil de Goiás.



