Após derrotas, Eduardo Bolsonaro mira contatos internacionais para impulsionar Flávio


Da redação

Sem mandato desde o fim de 2023, Eduardo Bolsonaro tem investido em sua rede de contatos internacionais para fortalecer a pré-candidatura do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República. Em viagem ao Oriente Médio, ambos já se reuniram com ao menos 16 autoridades, incluindo primeiros-ministros, presidentes, ministros e parlamentares, a fim de apresentar Flávio a diferentes lideranças da direita global.

Flávio informou ao Senado que se ausentaria do país em missão oficial entre 18 de janeiro e 7 de fevereiro, com custos pagos por recursos públicos. Posteriormente, ele estendeu sua permanência por mais cinco dias, comprometendo-se a arcar com as despesas do próprio bolso. Até o momento, os irmãos já passaram por Israel e Bahrein e planejam visitar ainda Emirados Árabes Unidos e Catar. Há intenção de circular por países da Europa, ainda não definidos, além dos Estados Unidos, onde Eduardo reside desde março de 2025.

Durante a viagem, Flávio declarou, em discurso na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo em Jerusalém, que é pré-candidato à Presidência. Ele e Eduardo se encontraram com líderes como o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog, e o ex-premiê austríaco Sebastian Kurz. Os irmãos também estiveram com parlamentares europeus, como Hermann Tertsch e Jorge Buxadé (Vox, Espanha) e Pedro Frazão (Chega, Portugal). Após reunião com Flávio, o polonês Dominik Tarczynski apoiou publicamente a candidatura dele para 2026.

No Bahrein, os Bolsonaro encontraram o primeiro-ministro e príncipe herdeiro Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa e o parlamentar Hassan Ibrahim Hassan. Segundo Flávio, os compromissos buscavam diálogo institucional e cooperação internacional em temas estratégicos. A viagem também contou com a presença dos deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE).

De acordo com o professor de relações internacionais David Magalhães, Eduardo, mesmo sem mandato, é peça-chave na articulação internacional do bolsonarismo. Ele avalia que Flávio tenta herdar o “capital político” acumulado pelo irmão, projetando-se como continuidade da rede internacional já consolidada pela extrema-direita brasileira.