Da redação
A cidade colombiana de Cúcuta, principal porta de entrada para a imigração venezuelana, vive momentos de tensão e celebração após a prisão do ditador Nicolás Maduro. Com cerca de 900 mil habitantes e mais de 7 milhões de venezuelanos abrigados na Colômbia ao longo dos últimos 15 anos, a cidade presenciou a formação de bairros pobres ocupados por quem não consegue migrar para outros centros urbanos.
Os recentes ataques americanos à Venezuela e a possibilidade de agravamento do conflito preocupam moradores locais. Apesar disso, há três dias, venezuelanos se reúnem no “malecón” de Cúcuta, sempre às 16h (18h de Brasília), para comemorar a ação do governo Trump e a prisão de Maduro. Correspondentes internacionais também estão na cidade, tentando atravessar a fronteira, já que o espaço aéreo venezuelano está fechado e viagens terrestres estão restritas aos nacionais.
Do lado venezuelano, o regime, agora comandado por Delcy Rodríguez, ordenou o fechamento das fronteiras a estrangeiros enquanto negocia com o governo Trump. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro reforçou a fronteira com tanques e militares após declarações de Donald Trump de que Petro poderia ser “o próximo”.
A situação intensificou o controle nas pontes sobre o rio Táchira, especialmente a Simón Bolívar, tradicional via de pedestres. Venezuelanos dividem opiniões sobre a queda de Maduro. Oscar Valenzuela, de Valencia, celebrou a saída, mas teme que outros líderes do regime permaneçam no poder. Já a professora Lycett Ocque, de San Antonio del Táchira, alerta para o aumento do crime transnacional e a influência de facções criminosas.
O fechamento das rotas ilegais de contrabando (“trochas”), agora sob rígido controle colombiano devido à atuação do grupo Tren de Aragua, prejudica quem atravessa a fronteira diariamente para estudar ou trabalhar. O terminal rodoviário de Cúcuta registra movimento intenso, como a venezuelana Gladys Olivera, que deixou Valencia com os filhos e busca recomeçar em outro país.






