Da redação
Recifes de corais-de-fogo da costa brasileira registram branqueamento severo e diminuição de suas populações, de acordo com estudo liderado por pesquisadores brasileiros. As espécies Millepora braziliensis e Millepora laboreli passaram a ser classificadas como “criticamente em perigo” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, após atualização da lista de espécies ameaçadas. O levantamento aponta eventos de branqueamento entre 2023 e 2024 como responsáveis pela redução dos recifes no país.
O oceanógrafo Miguel Mies, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e um dos autores da pesquisa, afirma que o aquecimento global é o principal fator de ameaça. “Das quatro espécies no Brasil, duas estão quase extintas, uma está se aproximando dessa condição, e apenas uma está em situação menos preocupante, mas ainda não segura”, declarou. Os corais expõem-se ao branqueamento ao perder nutrientes essenciais pelo aumento da temperatura das águas.
Guilherme Longo, professor de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, explica que “os eventos de estresse térmico estão se tornando mais intensos, frequentes e duradouros, tanto na costa brasileira quanto mundialmente”. Longo também alerta que as previsões climáticas indicam a recorrência de ondas de calor oceânicas como as registradas em 2023 e 2024, com tendência de agravamento da situação das espécies.
O Ministério do Meio Ambiente recomenda pactos internacionais para reduzir emissões de gases de efeito estufa, saneamento básico e regras de turismo para a proteção dos corais. Mies ressalta que os recifes sustentam pesca, turismo, proteção costeira e produção de medicamentos. O estudo foi publicado na revista Coral Reefs.




