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Argentina fecha 31,3 mil empresas e perde 245 mil empregos sob governo Milei


Da redação

A Argentina, sob administração do presidente Javier Milei, fechou 31,3 mil empresas, o equivalente a 6,1% do total registrado no país, e perdeu 245,6 mil empregos privados formais entre novembro de 2023 e junho de 2024, segundo balanço da Fundar, centro de pesquisas argentino, e levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). Em 18 setores analisados, 14 tiveram retração, afetando 23 das 24 províncias, conforme a Fundar.

O estudo aponta que a única exceção foi a província de Neuquén, impulsionada pela exploração de gás natural na área de Vaca Muerta. A taxa nacional de desemprego chegou a 7,9%, após aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao primeiro semestre de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O fechamento de empresas históricas, como Din S.A. e Clan Issime, evidenciou a crise nos setores industrial e têxtil, este último com retração acumulada de 19,1% em um ano.

A indústria argentina recuou 2,6% em doze meses encerrados em julho, e a substituição de parte dos postos perdidos ocorreu pelo crescimento do trabalho autônomo, que registrou aumento de 169 mil trabalhadores no período, conforme o Cepa. O informe da Cepa ressalta que essas vagas são “atividades desprotegidas”. Economistas, como Paulo Gala, da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, destacam que o controle da inflação, apesar de positivo, foi obtido com corte de gastos públicos, empréstimos com o Fundo Monetário Internacional e valorização do peso, condição que penaliza a indústria.

A agenda econômica sustentada pelo governo Milei encontra respaldo em setores do mercado financeiro e parte da imprensa internacional, mas enfrenta críticas, inclusive da publicação inglesa The Economist, que afirma que “os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”. Em resposta, Milei defendeu os resultados de seu governo, citando o crescimento do Produto Interno Bruto de 4,4% em 2025 e a alta nas exportações, dizendo que “o desemprego não está disparando”.