As perguntas do questionário: regras de formulação I

QuestionarioAs perguntas do questionário são o meio de acesso que temos aos pensamentos e sentimentos do eleitor. A qualidade das respostas vai depender basicamente da maneira certa de formular a pergunta.

O legislador deve encarar sempre a possibilidade da pesquisa, e, cada pergunta do questionário, como oportunidades únicas de acesso ao mundo interior do eleitor, e cuidar para que estas oportunidades não sejam desperdiçadas.

Tente sempre pensar a pergunta e também respostas possíveis.

Não basta apenas pensar na pergunta que se gostaria de fazer. Esta é a parte mais fácil, e qualquer um terá sugestões. É preciso pensar a pergunta juntamente com as respostas possíveis. Você verá que se gasta muito mais tempo imaginando as respostas do que formulando a pergunta. Isto porque as alternativas de respostas devem necessariamente contemplar todas as possibilidades, para o entrevistado escolher aquela que mais coincide com a sua opinião.

Questões dicotômicas

Há perguntas que admitem apenas duas respostas e são mutuamente exclusivas. Estas são as questões dicotômicas. São as perguntas mais pobres, menos informativas, mas, em certos casos, indispensáveis. Um exemplo seria o seguinte: Você votou na eleição passada? Esta pergunta só admite duas respostas (sim/não), e na realidade é isto mesmo que você está buscando saber.

O grande cuidado que se deve ter é não formular de maneira dicotômica questões que aceitam alternativas graduadas. Se o fizermos, estaremos empobrecendo a informação, forçando o entrevistado a se acomodar mal, numa das duas alternativas, ou mesmo a declarar que não quer responder, ou que não sabe.

Seqüência da pergunta dicotômica

Muitas vezes, a pergunta dicotômica funciona como um filtro. Ainda usando o exemplo acima, estou interessado em separar entrevistados que votaram na eleição anterior dos que não votaram. Então, feita a pergunta, a próxima no questionário conterá o seguinte aviso ao entrevistador: “Perguntar somente para os que responderam que votaram na eleição anterior”.

Assim, na seqüência imediata de perguntas – nas quais nos interessa apenas eleitores que votaram na eleição anterior – aqueles que não votaram não serão perguntados. Isto significa que vou trabalhar com um número de casos menor, mas “purificado” para os meus propósitos analíticos.

Perguntas com alternativas graduadas

A grande maioria das perguntas que você desejará fazer aos entrevistados admitem alternativas graduadas como resposta. Alternativas graduadas, como o próprio nome está dizendo, são possibilidades de resposta que se distribuem em escalas que vão de mais/menos; muito/pouco; atribuição de notas de 0/10; etc.

Alternativas graduadas são mais ricas em informação. Sabemos não somente se o entrevistado aprova/desaprova, gosta/não gosta, concorda/discorda, etc, mas também o grau de importância deste sentimento para ele. Perguntas com alternativas graduadas giram em torno de um “ponto médio”, que equivaleria à posição de neutralidade. A partir deste ponto médio agrega-se, para cima e para baixo dele(conforme a orientação afirmativa ou negativa em relação à formulação da pergunta), alternativas opostas, mas de igual distância do ponto médio. Para exemplificar tomemos a conhecida pergunta sobre a avaliação do desempenho de um governante. Normalmente a pergunta tem a seguinte formulação:

Na sua opinião, o desempenho de XXX no governo do estado é:

Ponto médio: REGULAR
Alternativa 1: BOM (orientação afirmativa)
Alternativa 1: RUIM (orientação negativa)
Alternativa 2:MUITO BOM (orientação afirmativa)
Alternativa 2:MUITO RUIM (orientação negativa)

Como se vê, a distância entre BOM e RUIM; MUITO BOM e MUITO RUIM; do ponto médio é a mesma, respectivamente, para cada uma das duas alternativas. Além disso, é oferecida a escolha da orientação positiva ou negativa, e, finalmente, a possibilidade de que, nenhuma destas satisfazendo totalmente o respondente, ele escolha o próprio ponto médio – REGULAR – como sua resposta.

Fonte: Política para políticos

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