Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou apoio à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão, comunicada após o endosso do presidente chileno Gabriel Boric, tem motivações ideológicas e práticas em meio ao avanço da direita na América Latina. Boric, de esquerda, transmitirá o poder ao direitista José Antonio Kast em 11 de março.
Lula levou em conta o ambiente atual de críticas e ataques à ONU, que vê sua autoridade internacional enfraquecida. O presidente também ressaltou a importância simbólica de ter uma mulher no comando da organização, especialmente após não indicar mulheres nas duas nomeações mais recentes para o Supremo Tribunal Federal.
Bachelet reúne credenciais para o cargo. Ex-chefe de Estado por dois mandatos no Chile, ela também dirigiu a ONU Mulheres e o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O governo Lula considera sua experiência e visibilidade internacional fatores decisivos para a candidatura.
O apoio à candidatura de Bachelet é compartilhado pelo México e pelo próprio Brasil, que defendem a eleição de um latino-americano para substituir António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro deste ano. O último latino-americano na função foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1991.
Na disputa, figuram ainda outros nomes da região: o diplomata argentino Rafael Grossi, apoiado pelo presidente Javier Milei, e a economista Rebeca Grynspan, indicada pela Costa Rica, ex-vice-presidente do país entre 1994 e 1998.





