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Ataques contra curdos na Síria são ‘revés’ para a pacificação na Turquia, diz porta-voz do PKK


Da redação

Os recentes confrontos entre o exército sírio e forças curdas na Síria representam “um revés” para o processo de paz entre o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e a Turquia, declarou à AFP Zagros Hiwa, porta-voz do braço político do PKK, nesta terça-feira (27). Ele ressaltou que o que ocorreu na Síria e no Oriente Médio teve impacto direto nas negociações.

Hiwa classificou os “ataques” contra os curdos no nordeste da Síria como “um complô e uma conspiração” para prejudicar o entendimento. Nas últimas semanas, as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, perderam vastas áreas de território para as tropas do governo sírio, um duro golpe para a minoria curda, presente em vários países.

Durante a guerra civil na Síria, que começou em 2011, os curdos conseguiram estabelecer uma zona autônoma no norte e nordeste do país. Mesmo com o cessar-fogo em vigor, prorrogado por mais 15 dias no último sábado, ambos os lados se acusam mutuamente de violações.

A escalada dos combates levanta temores sobre uma possível interrupção do processo de paz entre a Turquia — aliada próxima do governo sírio — e o PKK. As negociações, iniciadas em outubro de 2024, buscam encerrar mais de 40 anos de confrontos que já deixaram cerca de 50 mil mortos.

“O compromisso do PKK com o processo de paz é uma questão estratégica”, afirmou Zagros Hiwa. No entanto, ele destacou que “a nova estratégia não descarta a urgência de se defender contra ataques genocidas”. Hiwa também demonstrou “esperança” na manutenção do cessar-fogo na Síria.