Por Sandro Gianelli

O Conectado ao Poder entrevistou o cientista político Igor Fediczko, que estará no 15º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político abordando o tema: impulsionamento de conteúdo político.
Não sei nada sobre impulsionamento. Por onde devo começar?
Inicialmente o mais importante é saber para que serve o tráfego pago. As redes sociais funcionam com a seguinte lógica: deixam você navegar e te dão visibilidade quando elas precisam crescer e depois cortam sua visibilidade e te obrigam a pagar.
Hoje, para você ter visibilidade nas redes, você não pode contar mais apenas com o tráfego orgânico (ou tráfego gratuito), mas vai precisar também do tráfego pago. As redes são mídias pagas.
É importante começar pelos seguintes pontos: quem é o público que você deseja atingir, em qual região ou bairro, de que gênero e idade?
Quais as principais regras para a propaganda eleitoral na internet por intermédio do chamado impulsionamento?
Existem dois conjuntos de regras: as regras eleitorais que estão na lei 9504, e as regras digitais do facebook e demais redes.
Segundo a lei eleitoral, é proibido se declarar candidato antes do prazo oficial, é proibido pedir votos de forma explícita e algumas outras regras que valem tanto para meios digitais quanto para meios offline.
Para as redes, têm uma regra de ouro que vale de hoje e sempre valeu: é proibido fazer tráfego pago negativo. Ou seja, nada de falar mal do adversário e querer pagar para mais gente ver você falando mal.
Além disso, é importante deixar claro que após toda a confusão com a campanha do Trump e Hillary em 2016, o Facebook implantou regras específicas para temas políticos, que é um “selo” deixando claro quem está pagando aquele anúncio. Então será preciso verificar a sua conta, enviar seus dados, documentos e conseguir uma autorização prévia para anunciar.
Em quais redes sociais o Impulsionamento é permitido?
Basicamente hoje todas as redes têm tráfego pago. O Facebook e Instagram são as mais conhecidas, mas o Google também tem o chamado “tráfego de intenção”, ou seja, para as pessoas que procuram algum termo específico. Hoje, até o tiktok tem tráfego pago!
Somente o WhatsApp mesmo que não tem nenhuma forma de impulsionamento de conteúdo.
O que deve se atentar para não ocorrer erros que possam gerar problemas na Justiça Eleitoral?
As boas práticas estão no artigo 36A da lei 9504/97. Não é permitido pedir votos de forma explícita na pré-campanha.
E a própria lei 9504 deixa claro que é permitido exaltar as características pessoais. Então, é permitido falar de si e falar de sua história, o que não é permitido é pedir votos.
E nunca condicione seu apoio a alguma ação. “Vem comigo que vou melhorar seu bairro”, ou algo assim.
Sempre lembrando: o Facebook detalha todos os gastos. É preciso fazer uma boa prestação de contas em período de campanha.
O impulsionamento deve ser identificado durante as eleições?
Não somente durante as eleições, mas também no período de pré-campanha.
Quando o período eleitoral começar, em 18 de agosto, o pré-candidato se torna um candidato, e ele terá um CNPJ próprio. O impulsionamento precisará, obrigatoriamente, ser feito através do CNPJ, e não mais no CPF do pré-candidato.
O pagamento terá que ser feito único e exclusivamente pela conta do candidato, identificada pelo CNPJ.
Antes disso, em período de pré-campanha, é possível fazer impulsionamento via CPF, com pagamento pessoal. É permitido pela legislação e tem jurisprudência para tal.
Na pré-campanha é necessário a identificação?
Sim. Terá que ser feito como “temas sociais ou políticos”. Essa identificação já vale desde agora. Tudo fica registrado na biblioteca de anúncios do facebook, se o impulsionamento for no Facebook ou Instagram: https://www.facebook.com/ads/library
É permitido impulsionar no dia da eleição?
Não. Todas as campanhas precisam ser paradas às 00h do dia da eleição. Não é permitido nenhum tipo de impulsionamento no dia das eleições. Nada de boca de urna virtual.
Quais são os prazos e como começar?
Até o dia 18 de agosto, estamos em período de pré-campanha. É possível fazer impulsionamento via CPF, com pagamento de recursos próprios.
Após o dia 18, estamos em período oficial de campanha, e tudo tem que ser alterado para o CNPJ.
É preciso começar identificando a sua identidade, pelo link: https://www.facebook.com/id
Após ter a sua identidade pessoal confirmada, é preciso identificar quem está pagando o anúncio de cada página, nas configurações de cada página, na parte de “autorizações” e “Anúncios de temas sociais, eleições ou política”.
Existe alguma regra específica para a prestação de contas do impulsionamento?
É preciso fazer todos os pagamentos, a partir de 18 de agosto, via conta oficial do candidato.
As redes enviam comprovante de pagamento e nota fiscal. Então é importante guardar tudo para enviar para a prestação de contas no período determinado.
Qual é a expectativa da sua palestra no 15º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político?
Estamos em um período com mais de 5 mil municípios, muitos partidos, 513 deputados federais e centenas e centenas de deputados estaduais pelo país! São milhares de candidatos nas eleições de 2022.
Participar de um encontro que trate só de estratégias eleitorais, com a história e tradição do 15º congresso é gratificante.
Vamos poder trocar muito conhecimento, ajudar profissionais e fazer do evento um verdadeiro sucesso!
Serviço:
15º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político
Local do evento: Faculdade Republicana, SEP Sul, Trecho 713/913 Edifício CNC Trade Térreo – Asa Sul, Brasília – DF
Data: 26, 27 e 28 de maio de 2022
Tíquete padrão: participação presencial – R$ 1.700,00/ participação virtual – R$ 900,00
Inscrições: estrategiaseleitorais.com.br
Igor Fediczko é doutorando em ciência política pela PUC-SP, com especialização em comunicação e tecnologia. Estuda o impacto do tráfego pago nas estratégias eleitorais e cabeça do eleitor.
Envie uma mensagem para o WhatsApp (61) 98406-8683 caso você tenha alguma notícia relacionada aos bastidores da política e queira vê-lá na Coluna do Gianelli.
*Sandro Gianelli é consultor em marketing político, jornalista, colunista e radialista. Escreve a Coluna do Gianelli, de segunda a sexta, para o portal Conectado ao Poder e para o Jornal Alô Brasília e apresenta um programa de entrevistas, aos domingos, das 9h às 11h, na rádio Metrópoles – 104,1 FM.






