Da redação
Os serviços públicos de saúde mental no Distrito Federal estão sobrecarregados, com aumento significativo da demanda e dificuldades na ampliação da cobertura. Segundo dados da Secretaria de Saúde do DF, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) registraram mais de 200 mil atendimentos no primeiro semestre de 2024, crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram 180 mil atendimentos. Só para consultas especializadas em psicologia, a fila de espera tem 3.763 pessoas, com tempo médio de espera de 270 dias; em psiquiatria, o número chega a 10.224.
Apesar de bem avaliados pelos usuários, profissionais e especialistas relatam gargalos, como falta de servidores e sobrecarga nas unidades. Atualmente, a rede pública dispõe de 288 psicólogos e 118 psiquiatras. Filipe Willadino, psicólogo do CAPS II do Paranoá, destaca que houve pouco investimento em atenção primária e especializada nos últimos anos. A psiquiatra Clara Nunes, do CAPS AD de Ceilândia, também aponta carência de profissionais e estrutura.
O DF possui 18 CAPS e a segunda menor cobertura do país, com índice de 0,54 unidades por 100 mil habitantes, segundo relatório do Ministério da Saúde publicado em fevereiro de 2025. A Secretaria de Saúde informa que pediu a inclusão da ampliação e construção de novos CAPS no Projeto de Lei Orçamentária de 2026, especialmente na Região de Saúde Leste, e prevê a entrega de dois novos CAPS (um infantojuvenil e um 24h) até o primeiro semestre de 2026. Outras três unidades (Ceilândia, Guará e Taguatinga) estão em licitação.
Usuários dos CAPS, como José (50 anos, TEA) e Mariana (39 anos, depressão e bipolaridade), relatam experiências positivas, com acolhimento e melhoria no quadro de saúde mental. Entretanto, profissionais denunciam falta de insumos, infraestrutura precária e necessidade de expansão de equipes multidisciplinares para garantir atendimento de qualidade.
Especialistas ouvidos defendem a reestruturação da rede, realização de concursos públicos, ampliação do número de CAPS III e infantojuvenis, e redirecionamento de recursos para serviços públicos, visando reduzir internações prolongadas e garantir assistência integral aos pacientes.






