Início Mundo Atingido por tempestades, Portugal vai às urnas e deve rejeitar ultradireita

Atingido por tempestades, Portugal vai às urnas e deve rejeitar ultradireita


Da redação

Os dias que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, marcado para este domingo (8), foram marcados por tempestades que levaram diversos municípios a decretar estado de calamidade pública. Nomes como Kristin, Ingrid, Leonardo e Marta, das tempestades, dominaram o noticiário, ofuscando os candidatos António José Seguro e André Ventura.

Ventura, representante do Chega, partido de ultradireita, solicitou ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa o adiamento das eleições devido às chuvas, mas o pedido foi negado. Alguns municípios afetados, como Alcácer do Sal, adiaram a votação para 15 de fevereiro, mas o pleito nacional e a apuração dos votos seguem normalmente nas demais regiões, permitindo a proclamação de um vencedor.

Pesquisas recentes da Universidade Católica de Lisboa indicam ampla vantagem de António José Seguro, socialista, que lidera com 56% das intenções de voto contra 25% de Ventura. Entre os votos válidos, Seguro atinge 67%, enquanto Ventura soma 33%. O nível de escolaridade destaca-se: 70% dos apoiadores de Seguro possuem ensino superior, ante 12% dos eleitores de Ventura.

O crescimento do Chega entre a população mais humilde é destacado pelo professor André Santos Pereira (ISCTE), que aponta influência do bolsonarismo no partido, mapeada no livro “Por dentro do Chega”, de Miguel Carvalho. O relacionamento de Ventura com Jair Bolsonaro é oscilante e, segundo Santos Pereira, reflete a ambição de Ventura de liderar a direita portuguesa pela via da ultradireita.

Após o primeiro turno, Ventura tentou atrair eleitores de direita, mas lideranças tradicionais optaram por apoiar Seguro. Caso confirme os 33% nas urnas, Ventura planeja reivindicar liderança no campo da direita, ultrapassando a votação do primeiro-ministro Luís Montenegro, da Aliança Democrática, embora o sistema português reserve ao presidente poderes moderadores, como vetar leis e dissolver o Parlamento.