Da redação
A ativista Victoria Grabois, de 82 anos, segue empenhada em denunciar as violações da ditadura militar no Brasil e preservar a memória histórica do período. Victoria perdeu o pai, Maurício Grabois, o irmão André e o marido Gilberto Olímpio, assassinados por agentes do Estado na região do Araguaia em 1973, durante a repressão à guerrilha. “Não posso parar e faço tudo o que eu puder fazer para divulgar a memória e acabar com o silenciamento”, declarou a fundadora do movimento Tortura Nunca Mais.
Na terça-feira (31), o Ministério dos Direitos Humanos e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entregam 27 atestados de óbito retificados em cerimônia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), entre eles o de Maurício Grabois, com a causa mortis alterada para “ação violenta do Estado”. Victoria cobra investigações sobre as circunstâncias das mortes, lembrando que os corpos jamais foram devolvidos à família.
Na véspera (30), o movimento Tortura Nunca Mais concedeu a medalha Chico Mendes a defensores dos direitos humanos, destacando nomes como o guerrilheiro Francisco Manuel Chaves, a socióloga Yara Yavelber e mães de vítimas da violência policial. Victoria afirmou que as homenagens e filmes recentes sobre a ditadura ajudaram a tornar a história da Guerrilha do Araguaia mais conhecida nas escolas.
Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão, destacou que a retificação das certidões é a principal reparação oferecida às famílias das vítimas. Ela informou que a meta é completar 434 documentos, com cerimônias solenes e pedidos oficiais de desculpas, mas criticou a ausência de acesso total aos arquivos das Forças Armadas, o que impede esclarecimentos definitivos.
Além de Maurício Grabois, integram a lista de documentos retificados nomes como Carlos Lamarca, Stuart Edgar Angel Jones e outros militantes desaparecidos, cujas famílias esperam ainda respostas sobre as circunstâncias das mortes e os locais de sepultamento.





