Início Mundo Ativistas do Greenpeace são detidos ao protestar contra reforma da lei dos...

Ativistas do Greenpeace são detidos ao protestar contra reforma da lei dos glaciares


Da redação

Doze ativistas do Greenpeace foram detidos nesta quinta-feira (26) após protestarem no Congresso argentino contra a reforma da lei de proteção dos glaciares, que será debatida no Senado ainda hoje. O projeto prevê a redefinição do alcance da proteção hídrica e pode liberar áreas atualmente preservadas para exploração de minério.

Durante o protesto, os ativistas pularam as grades do Congresso e sentaram em bancos que simulavam sanitários com a inscrição “lei de glaciares”. Eles também ergueram cartazes com a frase: “senadores, não caguem na água, não se toca na lei dos glaciares”. A manifestação foi rapidamente contida pela polícia, que retirou os cartazes e os manifestantes do local, segundo imagens transmitidas pela televisão.

Um cinegrafista da emissora A24 também foi detido após ser jogado ao chão, algemado e retirado do local com o rosto ensanguentado. A senadora e ex-ministra da Segurança, Patricia Bullrich, afirmou ao chegar ao Congresso que está sendo investigada a conduta policial durante as detenções. Segundo ela, “foi aberto um inquérito (…) Não foi o agir que a polícia deve realizar”.

A reforma da lei dos glaciares, em vigor desde 2010, é impulsionada pelo presidente Javier Milei e conta com apoio das províncias de San Juan, Mendoza, Catamarca, Jujuy e Salta. O texto permite que as províncias definam quais glaciares devem permanecer protegidos, mediante estudos de impacto ambiental, e limita a proteção apenas àqueles considerados reservas estratégicas de água, o que pode ampliar as áreas para mineração e exploração de hidrocarbonetos.

Bullrich, líder do bloco governista, afirmou que a reforma “respeita o meio ambiente e delimita aquelas zonas que são aptas para tarefas produtivas”. Ela também destacou que o Senado irá votar nesta quinta-feira a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que, segundo ela, pode aumentar em 75% as exportações argentinas.