Da redação
Ativistas tibetanos e organizações de direitos humanos acusam a China de subestimar o número de mortos em um deslizamento de terra ocorrido em regiões fronteiriças com o Nepal. Segundo a imprensa estatal chinesa, morreram dezesseis pessoas no Tibete e 546 estão desaparecidas. O Ministério das Relações Exteriores afirma que a divulgação das informações tem sido “aberta, transparente e oportuna”.
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, equipes de emergência tentam localizar sobreviventes e trabalham para reabrir uma das principais estradas. A televisão estatal CCTV exibiu imagens de escavadeiras removendo escombros às margens de um rio lamacento. Conforme o Ministério da Segurança Pública, autoridades sancionaram dez pessoas acusadas de divulgar desinformação, o que alimenta suspeitas de que o número real de vítimas seja superior ao informado.
Tibetanos exilados na Índia, com base em relatos de familiares em Gyirong, uma das áreas atingidas, estimam ao menos vinte e quatro mortos e afirmam que rituais funerários são realizados em cinco vilarejos afetados. A Tibet Radio, sediada na Índia, informa ter confirmado vinte e cinco vítimas, incluindo residentes fronteiriços, comerciantes e trabalhadores. Os exilados relatam também o desaparecimento de numerosos trabalhadores de Lhasa e Shigatse que atuavam na construção de uma ponte.
Grupos de defesa dos direitos tibetanos manifestaram ceticismo quanto aos dados oficiais e reivindicam transparência sobre os danos. Segundo a Campanha Internacional pelo Tibete, fontes na região relatam mais de trezentas casas destruídas e grande número de desaparecidos. No lado nepalês, uma avalanche resultante do colapso de uma geleira provocou novecentos e oitenta e sete mortos e cerca de quatro mil desaparecidos. O Dalai-lama, na Índia, associou a tragédia a causas ambientais, e representantes da Tibet House culpam a construção de barragens pela intensificação dos eventos.



