Autoestradas Invisíveis: a rede de cabos submarinos que sustenta a conectividade global


Da redação

Os cabos submarinos são responsáveis por cerca de 99% do tráfego internacional da internet e formam a espinha dorsal da conectividade digital global, segundo Tomas Lamanauskas, secretário-geral adjunto da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Atualmente, existem mais de 500 cabos comerciais em operação, interligando continentes e mercados, com extensão total de cerca de 1,7 milhão de quilômetros. A instalação desses cabos envolve um complexo estudo do fundo do mar, seguido pelo lançamento feito por navios especializados.

Acidentes e desastres naturais podem causar graves interrupções na transmissão de dados. Lamanauskas destaca que entre 150 e 200 incidentes desse tipo são registrados anualmente, a maioria provocada por atividades humanas, como âncoras e redes de pesca, responsáveis por cerca de 80% das ocorrências. Ele citou o exemplo de Tonga, que desde 2019 enfrentou três grandes interrupções devido a terremotos, erupções vulcânicas e ancoragem inadequada.

A manutenção é desafiadora e, em territórios com múltiplas jurisdições, as autorizações necessárias para reparos tornam o processo ainda mais complexo. O trabalho pode demorar dias, semanas ou até meses, dependendo da localização e extensão do dano. Além disso, grande parte da infraestrutura existente foi instalada por volta do ano 2000 e já atinge seu ciclo de vida útil, estimado em 25 anos.

A instalação de novos cabos é dispendiosa, com projetos curtos custando milhões e extensões maiores chegando a centenas de milhões. Poucas empresas dominam a tecnologia e o processo depende de planejamento extenso e serviços altamente especializados. Nesse contexto, a UIT atua no desenvolvimento de normas e boas práticas, promovendo colaboração entre governos, setor privado e especialistas.

A pauta foi debatida na Cúpula Internacional de Resiliência dos Cabos Submarinos de 2025, na Nigéria, e será tema do segundo encontro, entre 2 e 3 de fevereiro de 2026, no Porto, Portugal. As recomendações se concentram em fortalecer a instalação, reparo, identificação de riscos e promoção da conectividade, aspectos essenciais diante do aumento exponencial da demanda por dados e conectividade.