Da redação
O mercado editorial francês foi sacudido nesta quinta-feira (16) após 170 escritores anunciarem que não publicarão mais pela tradicional editora Grasset. A decisão é um protesto contra a saída do diretor Olivier Nora, medida atribuída ao proprietário da casa, o bilionário conservador Vincent Bolloré.
Entre os signatários estão nomes de peso como Virginie Despentes, Frédéric Beigbeder, Sorj Chalandon e Bernard-Henri Lévy. A carta aberta foi motivada pelo anúncio do afastamento de Nora, que comandava a editora havia 26 anos. A Grasset integra o grupo Hachette, controlado por Bolloré desde 2023.
Os autores classificaram a saída de Nora como uma “demissão”, denunciando “um atentado inaceitável contra a independência editorial” da Grasset. Colombe Schneck, uma das romancistas que assina a carta, afirmou à AFP que “era impossível não fazer nada. A partida de Olivier Nora foi a faísca”. O grupo também expressou preocupação com os rumos editoriais da Fayard, também pertencente à Hachette, atualmente focada em autores de direita ou extrema direita.
Claude Askolovitch, jornalista e outro signatário, declarou à rádio France Inter: “Vincent Bolloré é Átila, chega e destrói ao seu bel-prazer.” Procurada, a Hachette não comentou a carta, mas confirmou que Jean-Christophe Thiery, homem de confiança de Bolloré, assumirá a direção da Grasset.
Os escritores estudam medidas para recuperar os direitos de suas obras já lançadas pela Grasset, e movimento semelhante pode ocorrer entre autores da Fayard. “As edições Grasset eram nossa casa(…). Olivier Nora foi seu baluarte e seu cimento”, finaliza o manifesto.






