‘Bancada do Master’ age para favorecer Vorcaro, blindar políticos, pressionar PF e BC e evitar CPI


Da redação

Um grupo de parlamentares, apelidado de “Bancada do Master”, articulou no Congresso Nacional propostas que favoreceram o Banco Master, blindaram políticos, pressionaram órgãos de controle e atualmente atua para evitar a instalação de uma CPI sobre o caso. O Master vendeu carteiras “podres” para o Banco de Brasília (BRB) e tentou ser adquirido por ele, enquanto o banqueiro Daniel Vorcaro estreitava relações políticas com festas e eventos.

Em junho de 2024, o Master iniciou a venda de carteiras de crédito consignado ao BRB. De janeiro a junho de 2025, o BRB adquiriu R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas e pagou mais R$ 5,5 bilhões em prêmios, segundo investigação da Polícia Federal. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob sigilo, com relatoria do ministro Dias Toffoli, cujos familiares teriam participação em empreendimento ligado ao banco.

Em agosto de 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou emenda à PEC de autonomia do Banco Central para elevar a garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida vista como benéfica ao Master. Em novembro do mesmo ano, o deputado Felipe Barros (PL-PR) apresentou projeto idêntico, mas sem avanços. Em setembro de 2025, a Câmara aprovou a chamada “PEC da Blindagem”, que estendia foro privilegiado a dirigentes partidários, mas a proposta não avançou no Senado.

Há resistência entre os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-MG), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à criação da CPI do Master. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também atua para barrar a comissão, segundo parlamentares. Pedro Campos (PSB-PE), líder do PSB, afirmou ter sido um dos primeiros a denunciar irregularidades e a propor a CPI.

Outros movimentos da “Bancada do Master” incluem tentativas de limitar a atuação da Polícia Federal e de pressionar o Banco Central. Em paralelo, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu ter sugerido Ricardo Lewandowski como consultor ao Master, mas negou envolvimento com o escândalo.