Da redação
O Banco Central lançou oficialmente a duplicata escritural, novidade que transforma a duplicata tradicional das vendas a prazo entre empresas em um título totalmente digital. O sistema, que está em fase de testes e será adotado de forma gradual até junho de 2028, registra eletronicamente todas as etapas, da emissão ao pagamento, com o objetivo de reduzir fraudes e facilitar o acesso ao crédito empresarial.
Segundo o Banco Central, a duplicata escritural permitirá rastrear todo o histórico do título, trazendo mais transparência e segurança para bancos, empresas e investidores. Para pequenas e médias empresas, o novo modelo deve simplificar a antecipação de recebíveis e ampliar as possibilidades de usar créditos registrados como garantia em operações financeiras. Instituições financeiras, por sua vez, terão mais instrumentos para avaliar riscos, analisando a origem e a validade dos recebíveis eletrônicos.
Antes da digitalização, parte das operações era feita com documentos físicos e registros separados, aumentando os riscos de duplicidade de créditos, desencontro de informações e dificuldades na comprovação da existência dos valores. O Banco Central estima que o mercado potencial da duplicata escritural envolve cerca de R$ 11 trilhões e aproximadamente 2 milhões de empresas emissoras. O cronograma de implantação prevê obrigatoriedade para grandes empresas a partir de junho de 2027, para médias até dezembro de 2027 e para pequenas empresas em junho de 2028.
Ainda conforme o órgão, bancos, fundos e empresas poderão consultar a situação das duplicatas em ambiente digital, reduzindo problemas como a negociação repetida do mesmo crédito. No entanto, especialistas alertam que, apesar dos avanços, continuará sendo necessário manter controles internos, documentos fiscais e registros organizados, já que a tecnologia não elimina todos os riscos envolvidos nas operações.



