Da redação
Investigados do Distrito Federal integrantes de uma rede de tráfico interestadual usaram as redes sociais para exibir fotos portando fuzis e demonstrando ligação com facções cariocas. As imagens, registradas em mesas de bar e áreas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, foram fundamentais para a Operação Eixo, deflagrada nesta sexta-feira (10/4) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo a delegada Ágatha Braga, responsável pelo caso, trata-se da primeira vez que a polícia do DF registra criminosos saindo da capital para receber treinamento tático em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV), no Rio. “Eles recebiam armas e treinamento, e postavam as fotos nas redes, demonstrando sentimento de pertencimento às facções”, afirmou Ágatha em coletiva de imprensa.
A ação policial prendeu três líderes que viajavam frequentemente ao Rio. “Neutralizamos a ação antes que pudessem recrutar novos membros ou expandir a facção, e não há indícios de que as armas tenham sido trazidas ao DF”, esclareceu a delegada.
A organização criminosa era dividida em dois núcleos: tráfico de drogas sintéticas e maconha, e lavagem de dinheiro, que movimentou até R$ 1 bilhão no país. Estrangeiros — dois colombianos e um venezuelano — usavam empresas de fachada e criptoativos para esconder os lucros. Em sete empresas investigadas, nenhuma tinha atividade real.
No total, a Operação Eixo cumpriu 33 mandados de prisão temporária, seis prisões em flagrante e sequestrou imóveis de luxo em Uberlândia (MG), Guarujá (SP) e Foz do Iguaçu (PR). Foram aplicados 40 mandados de prisão, 56 de busca, e apreendidos drogas, armas, munições, R$ 60 mil, joias, veículos de luxo, uma moto, imóveis e houve bloqueio de R$ 1 milhão em contas. Para Ágatha Braga, a operação visa “asfixiar financeiramente e evitar a circulação de dinheiro ilícito no DF”.






