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Barômetro da Lusofonia é lançado no Brasil em evento no Senado


Da redação

O Barômetro da Lusofonia foi lançado nesta quinta-feira (19), em evento no auditório do Interlegis, no Senado Federal, trazendo uma pesquisa inédita sobre os países de língua portuguesa. Realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o estudo ouviu mais de cinco mil pessoas em oito nações lusófonas — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Brasil, Timor-Leste e Portugal — e mapeou percepções sobre vida cotidiana, democracia, intercâmbio cultural e expectativas de cooperação.

Na abertura, Antonio Lavareda, diretor-geral da pesquisa, destacou o alcance do português, presente em quatro continentes, e ressaltou a língua como espaço simbólico de pertencimento, citando Fernando Pessoa: “A minha pátria é a língua portuguesa.” Claudio Providas, do Pnud, reforçou que a cooperação multilateral entre países de língua portuguesa é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Já Ilana Trombka, do Senado, enfatizou a importância do estudo para compreender semelhanças e diferenças nas trajetórias democráticas dessas nações.

Entre os dados, o Barômetro revela que a maioria dos entrevistados é otimista com o futuro de seus países, embora apenas 52% esperem melhora nos próximos 12 meses e 21% prevejam piora. O Brasil lidera em satisfação pessoal, mas registra maior frustração nacional; Timor-Leste foi o único entre os pesquisados a avaliar melhor o país do que a vida pessoal. Saúde, educação e desemprego são as principais preocupações comuns.

A maioria valoriza a integração econômica e cultural entre os lusófonos, reconhece a importância de ensinar sobre a escravidão nas escolas (80%), mas persiste o conservadorismo em temas de gênero e diversidade sexual. Segundo os organizadores, o estudo reforça o protagonismo estratégico e o potencial de crescimento do bloco, que pode chegar a 500 milhões de falantes até 2100.

O Barômetro, apoiado por instituições como a CPLP, Pnud, universidades e fundações, busca fortalecer a integração e fornecer dados para políticas culturais e sociais nas nações lusófonas. A Guiné Equatorial deve ingressar na próxima edição, prevista para 2028.