Da redação
A guerra no Oriente Médio pode não ser a única fonte de pressão inflacionária no Brasil a partir do segundo trimestre. Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), órgão climático do governo dos Estados Unidos, o padrão de aquecimento do oceano Pacífico em 2024 se assemelha ao observado antes de episódios classificados como “Super El Niño”.
Caso isso se concretize, o Brasil poderá enfrentar seca extrema, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, impactando a safra de grãos dos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No Sul, a preocupação é com chuvas intensas, que podem dificultar a colheita do trigo.
No momento, os modelos da NOAA indicam um El Niño de intensidade moderada. No entanto, os dados vêm sendo acompanhados de perto por técnicos do Banco Central e do Ministério da Agricultura, atentos aos possíveis impactos no agronegócio brasileiro.
Em escala global, relatório do Monitor Agro do Bradesco prevê temperaturas mais altas e menos chuvas no sudoeste asiático e na Austrália, pressionando as safras de arroz, trigo, cana-de-açúcar e café, além de pastagens, o que pode influenciar o preço da carne e afetar o mercado brasileiro.
Além disso, o preço dos alimentos já sofre com o aumento dos fertilizantes, dificultado pela interrupção do fluxo comercial no Estreito de Ormuz. Esses choques de oferta tendem a intensificar ainda mais a pressão para que o Banco Central reduza o ritmo de corte dos juros ou possa ser levado a encerrar abruptamente o ciclo de queda da Selic.





