Da redação do Conectado ao Poder
Deputada afirma que presidente da Câmara age sob pressão do Supremo e denuncia suposta chantagem contra parlamentares

Durante entrevista ao programa Rota Atividade, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) criticou a condução da Câmara dos Deputados pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), especialmente quanto à ausência de debate sobre projetos que tratam da anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro. “Temos os votos para aprovar, mais de 300. O povo tem coração. Tem que fazer justiça às pessoas”, afirmou a parlamentar, defendendo que o tema seja ao menos discutido em plenário.
Segundo Bia Kicis, o presidente da Câmara estaria cedendo a pressões externas e descumprindo acordos firmados com os parlamentares. “Foi feito um acordo de que ele não se negaria a pautar nenhum assunto que tivesse apoio da maioria”, disse. Ela afirmou que, apesar de o grupo ter recolhido mais de 260 assinaturas de deputados em apoio à proposta, Hugo Motta não pautou a votação. A deputada acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de atuar diretamente para influenciar decisões no Legislativo: “Tem ministro do Supremo que liga para os líderes, liga para o presidente da Casa. Isso sim é antidemocrático”.
Bia Kicis também sugeriu que a Polícia Federal teria sido usada para pressionar o presidente da Câmara, relatando ações direcionadas à família de Hugo Motta. “Imediatamente a Polícia Federal foi bater na porta do pai dele. A mídia começou a noticiar que familiares estavam com problemas na Justiça. Ele está pressionado, está com medo”, declarou. A deputada afirmou que, diante desse contexto, o Congresso estaria “de joelhos perante o Supremo Tribunal Federal”.
A parlamentar classificou como “absurda” a concentração de poder nas mãos do presidente da Câmara e defendeu que decisões importantes não podem depender de interesses pessoais. “Ele nunca poderia ter aceitado ser presidente da Casa sabendo que tinha essa vulnerabilidade”, disse, referindo-se às denúncias contra familiares de Hugo Motta. Para Bia Kicis, a independência entre os Poderes está comprometida: “É um presidente com rabo preso que impede a votação de matérias de interesse da população”.
Ao longo da entrevista, Bia Kicis reiterou o discurso de que há um desejo popular por justiça e que os parlamentares estão sendo impedidos de exercer suas funções constitucionais. “Nós fomos eleitos para representar o povo. E simplesmente não podemos, por conta de um presidente que está sendo pressionado”, concluiu.





