Início Mundo Bolívia: protestos desafiam governo após aumento de combustíveis

Bolívia: protestos desafiam governo após aumento de combustíveis


Da redação

Menos de dois meses após o início do novo governo da Bolívia, uma onda de protestos e paralisações tomou as ruas, liderada por sindicatos e movimentos sociais. Desde o dia 22 de dezembro, manifestantes exigem a anulação do decreto que eliminou o subsídio dos combustíveis, resultando em aumentos drásticos nos preços do diesel e da gasolina.

Para mitigar a alta nos preços, o governo também anunciou um aumento de 20% no salário mínimo. No entanto, as organizações sindicais consideram o decreto 5503 um “pacote neoliberal” que onera a população e favorece interesses corporativos. A Central Operária da Bolívia (COB) denunciou que a medida ignora o Legislativo e compromete os recursos do país.

Os protestos se intensificaram, incluindo greves e marchas, com a COB convocando uma greve geral. O presidente Rodrigo Paz justificou o decreto como necessário para enfrentar uma crise econômica e energética, com a intenção de facilitar investimentos e equilibrar as contas públicas.

O antropólogo Salvador Schavelzon analisa que o novo decreto representa uma tentativa de reconfiguração política após anos de governos de esquerda. Embora o início dos protestos tenha sido forte, ele sugere que a negociação com setores do transporte pode ter suavizado a tensão.

Adicionalmente, o decreto cria um ambiente favorável para investimentos, garantindo estabilidade jurídica e tributária, enquanto proíbe novas contratações no setor público e limita reajustes salariais. Em meio a disputas políticas internas, Rodrigo Paz busca consolidar seu governo, até autorizando-se a governar do exterior durante viagens.