Da redação do Conectado ao Poder
Aliados no Congresso defendem redução no tempo de inelegibilidade para beneficiar o ex-presidente

O ex-presidente Jair Bolsonaro está se movimentando nos bastidores do Congresso para viabilizar uma alteração na Lei da Ficha Limpa. A proposta, liderada pelo deputado Bibo Nunes (PL-RS), sugere a redução do período de inelegibilidade de oito para dois anos, o que permitiria que Bolsonaro voltasse a concorrer antes de 2030. A medida já conta com o apoio de 73 parlamentares de diferentes partidos, como PL, MDB, Patriota, PP, PSD e Republicanos.
Criada em 2010, a Lei da Ficha Limpa impede que políticos condenados por órgãos colegiados concorram a cargos públicos por oito anos. A mudança legislativa beneficiaria diretamente Bolsonaro, que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após ser condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em 2022.
A proposta tem gerado intensos debates no meio político. Enquanto aliados do ex-presidente argumentam que a atual legislação é rígida demais e impede a renovação política, opositores criticam a tentativa de flexibilização das regras, afirmando que a medida enfraqueceria o combate à corrupção e abriria brechas para beneficiar outros políticos com histórico de condenações.
Mesmo com o apoio de parte do Congresso, a mudança na lei enfrenta desafios. Além da necessidade de maioria parlamentar para aprovação, a proposta pode encontrar resistência no Judiciário, que tem defendido a rigidez das regras eleitorais como forma de garantir maior transparência e ética na política.





