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Bolsonaro prioriza maioria pró-impeachment do STF no Senado enquanto Flávio evita expor embate

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Da redação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem concentrado esforços em formar uma maioria no Senado favorável ao impeachment de ministros do STF, especialmente mirando 2027, ao indicar candidatos de direita para as eleições de outubro. A estratégia vai na contramão do discurso mais moderado adotado por seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que evita embates diretos com o Supremo e prioriza propostas na corrida presidencial.

Em conversas com a Folha, pré-candidatos bolsonaristas ao Senado destacaram a necessidade de reequilibrar os Poderes e defenderam abertamente o afastamento de ministros como Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou na condenação de Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Nos bastidores, aliados afirmam que Bolsonaro considera o controle do Senado fundamental, o que inclui apoiar nomes da família, como Michelle Bolsonaro para o Distrito Federal e Carlos Bolsonaro para Santa Catarina.

O PL já tem 35 nomes cogitados para o Senado e deve lançar candidatos em quase todos os estados, exceto Amapá. Segundo levantamento, ao menos 24 pré-candidatos do partido já defenderam publicamente o impeachment de Moraes ou assinaram pedidos pelo afastamento do ministro. Contando aliados de outras siglas como o Novo, calcula-se que a direita bolsonarista pode eleger mais de 50 senadores, superando o número mínimo de 41 para formar maioria.

Apesar da pauta beligerante do pai, Flávio Bolsonaro adota um tom mais cauteloso, criticando o STF apenas de forma protocolar e afirmando que a abertura de impeachment deve ocorrer apenas mediante comprovação de crime de responsabilidade. Outros postulantes ao Senado, como Sanderson e Bia Kicis, compartilham da defesa pelo impeachment, mas reconhecem a necessidade de cautela no embate com o Judiciário.

Com o controle do Senado, a ideia de Bolsonaro e aliados é avançar projetos travados, incluindo o próprio impeachment de ministros do STF. Na sexta-feira (27), Eduardo Bolsonaro afirmou: “Os futuros senadores vão ‘impichar’ o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes corruptos”. Entre os candidatos, há quem veja o processo como legal, mas não obsessivo, a exemplo do ex-ministro Marcelo Queiroga, que defende o respeito ao devido processo legal.