Da redação
A sede da ONU em Nova Iorque recebe nesta semana o 21º Fórum sobre Florestas, com expectativa de mudanças legais no setor a partir da resolução “omnibus” de 2026. Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, afirmou que o Brasil prioriza implementar metas globais existentes em preservação ambiental, integrando economia, tecnologia e justiça social.
O país defende que a nova resolução precisa garantir mecanismos claros para o cumprimento dos compromissos já assumidos, sem necessariamente criar novos programas. Segundo Batmanian, “o que nós precisamos agora é de uma resolução com definições claras de meios de implementação para que atinjamos as metas que nós já definimos anteriormente”.
Uma das propostas brasileiras é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forest Facility, Tfff), que busca atrair capital internacional para fortalecer a fiscalização e estratégias de conservação. A meta é recompensar financeiramente países que conseguem manter baixas taxas de desmatamento, criando renda garantida para ampliar investimentos em preservação.
O Brasil destacou também o Programa Bolsa Verde, que reconhece o serviço ambiental prestado por comunidades tradicionais. Atualmente, 67 mil famílias recebem mensalmente pelo trabalho de manter a floresta preservada, conforme detalhou Batmanian. A iniciativa já cobre dezenas de milhares de famílias e prevê expansão com reflorestamento financiado por créditos de carbono.
O modelo nacional inclui manejo florestal de baixo impacto, possibilitando extração controlada sem descaracterização do bioma. Empresas e comunidades geram receita extraindo até quatro árvores por hectare, ao mesmo tempo em que promovem restauração florestal e mantêm a floresta em pé como ativo valioso.
Com a nova abordagem, a conservação torna-se uma alternativa de subsistência, contribuindo para o combate à pobreza extrema. Em 2025, o Brasil aumentou em 35% a área de manejo concedida e ampliou o estímulo aos produtos não madeireiros, como açaí, castanha, cacau e óleos, conectando apoio internacional ao fortalecimento do extrativismo comunitário.






