Da redação
O governo brasileiro mantém postura cautelosa diante dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ocorridos neste sábado (28). A posição reflete o contexto em que o Brasil negocia tarifas com os EUA e mantém o Irã como aliado no bloco Brics, grupo que reúne nações do Sul Global. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores condenou a ofensiva e defendeu o diálogo como caminho para a paz na região.
A nota destaca que a negociação é “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil” e faz um apelo para que todas as partes respeitem o direito internacional, evitem escalada das hostilidades e protejam civis e infraestrutura. Os ataques dos EUA e Israel ao território iraniano acontecem em meio a discussões sobre o programa nuclear do Irã, que respondeu atingindo bases americanas em países vizinhos. O Irã defende que seu desenvolvimento nuclear tem fins pacíficos.
Segundo o professor Feliciano de Sá Guimarães, do Instituto de Relações Internacionais da USP, o Itamaraty procura uma posição intermediária. “O Brasil se coloca em uma posição difícil de não ser abertamente contra o Irã e nem contra os EUA, já que negocia tarifas com os americanos e tem o Irã como membro dos Brics”, explica. Williams Gonçalves, da Uerj, acrescenta que a cautela também se deve à participação brasileira no Brics, ao lado de China e Rússia, ambos aliados do Irã.
Gonçalves ressalta que a posição do Brasil tem sido de não provocar ou reagir fortemente, mas alerta para possíveis mudanças caso o conflito se amplie. “O Brasil sempre defendeu a autodeterminação dos povos e não pode apoiar intervenções para mudar sistemas políticos de outros países”, afirma.
Leonardo Paz Neves, pesquisador da FGV, acredita que o impacto direto do conflito para o Brasil é restrito, mas alerta para efeitos no comércio, especialmente com relação ao petróleo e aos embarques de soja e milho ao Irã, um importante parceiro comercial. Em 2025, a corrente de comércio bilateral foi de US$ 3 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 2,9 bilhões.






