Da redação
O Brasil enfrenta uma oportunidade estratégica com a transição energética e a digitalização da economia, que impulsionam a demanda mundial por minerais críticos e estratégicos. Lítio, terras raras e nióbio, entre outros, tornam-se essenciais para tecnologias emergentes. O debate ganha força em 2024 diante dos desafios para a soberania nacional.
A participação do país nessas cadeias produtivas é vista como decisiva para o futuro da energia, alimentação, mobilidade, indústria digital e defesa. Segundo especialistas, dominar o processamento e a industrialização desses minerais permite agregar valor e evitar a simples exportação de matéria-prima de baixo valor agregado.
Uma das principais propostas em discussão no setor sugere que 10% das receitas públicas oriundas da exploração desses recursos sejam destinados à educação, ciência e tecnologia. Para defensores dessa medida, converter parte dessa renda em patrimônio permanente, como escolas, universidades, laboratórios e bolsas de pesquisa, é fundamental para o desenvolvimento nacional.
A relevância dos minerais críticos tem sido acompanhada por universidades e instituições públicas brasileiras, como a Universidade de Brasília (UnB), especialmente com estudos na Província Estanífera de Goiás. Pesquisadores defendem o fortalecimento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM) para enfrentar os desafios crescentes do setor.
No Congresso Nacional, o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos avança, incluindo a possibilidade de um Conselho dedicado e incentivos à formação de especialistas. Segundo Márcia Abrahão Moura, geóloga e ex-reitora da UnB, falta, no entanto, previsão de percentual mínimo para o beneficiamento e transformação de minerais no país, além de segurança jurídica nas operações envolvendo esses recursos.
Erros históricos na exportação de riquezas naturais com baixo valor agregado são apontados por especialistas como alerta para não repetir esse ciclo com minerais críticos. O domínio completo das etapas de pesquisa, beneficiamento e inovação é visto como base da soberania nacional, evitando a simples entrega de minérios brutos ao mercado internacional.





