Início Eleições Brasil prioriza estabilidade sob Delcy e descarta pedir eleição na Venezuela

Brasil prioriza estabilidade sob Delcy e descarta pedir eleição na Venezuela


Da redação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como prioridade a estabilidade da Venezuela, agora sob o comando de Delcy Rodríguez, e descarta pressionar o regime chavista por novas eleições. Delcy assumiu oficialmente o poder na segunda-feira (5), após a captura de Nicolás Maduro por militares americanos durante um ataque contra Caracas no sábado (3). Desde então, a estratégia do Brasil se divide entre denunciar a violação do direito internacional e da soberania venezuelana e atuar para garantir um mínimo de estabilidade política no país vizinho.

Segundo assessores de Lula, ainda há incerteza sobre a coesão do chavismo em torno de Delcy e sobre o arranjo que será estabelecido com Washington. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país administrará a Venezuela até uma transição e confirmou que o regime venezuelano entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Trump acrescentou que o controle americano pode durar mais tempo, enquanto Delcy declarou que nenhum agente externo governará o país.

O Brasil reconheceu Delcy como presidente interina desde a captura de Maduro. A secretária-geral do Itamaraty, embaixadora Maria Laura da Rocha, formalizou o reconhecimento, e a embaixadora brasileira em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, esteve na cerimônia de posse. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), anunciou o envio de insumos e medicamentos para pacientes renais venezuelanos, atendendo um pedido da Opas após os bombardeios e destruição de um centro de tratamento.

Apesar de outros países e líderes, como França, Canadá e União Europeia, defenderem uma transição democrática e novas eleições na Venezuela, o governo Lula mantém o foco apenas na condenação da intervenção americana e no apoio à estabilidade. Não houve menção oficial a eleições ou transição por parte do Planalto ou Itamaraty.

Entre os motivos para essa postura, auxiliares de Lula citam a desconfiança histórica em relação à oposição venezuelana, o princípio da não intervenção em assuntos internos, e o próprio posicionamento de Trump, que rechaçou novas eleições no curto prazo e reconheceu Delcy como líder do país.