Da redação
Em um ano, o Brasil reduziu pela metade o número de escolas públicas sem acesso a água. Em 2024, eram 2.512 unidades nessa situação, número que caiu para 1.203 em 2025, segundo levantamento divulgado neste domingo (22) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), no Dia Mundial da Água.
Apesar da melhora, ainda há 75 mil estudantes sem acesso à água em suas escolas, frente aos 179 mil registrados em 2024. O problema é mais grave nas áreas rurais: em 2025, 96% das escolas sem água (1.149) estão fora dos centros urbanos, enquanto apenas 4% (54) localizam-se nas cidades.
O levantamento revela disparidades raciais e territoriais. Entre os alunos sem água nas escolas, cerca de 63% são negros e 13% são indígenas, grupo especialmente presente nas zonas rurais e na Amazônia.
Segundo Rodrigo Resende, especialista do Unicef, o déficit histórico do acesso à água nas áreas rurais reflete dificuldades na implementação de políticas públicas, com destaque para a Amazônia e o semiárido. “Essa situação tem consequências ainda mais graves para as meninas, que enfrentam desafios adicionais no período menstrual, além de ficarem mais expostas a riscos quando precisam buscar água fora da escola”, afirma.
Resende defende esforços conjuntos de governos municipais, estaduais e federal para ampliar investimentos em saneamento escolar. Ele recomenda ainda soluções que considerem as especificidades locais, priorizando tecnologias sociais e o uso de fontes renováveis de energia para aumentar a resiliência climática.







