Da redação
A equipe do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), finalizou a segunda expedição científica à Estação Antártica Comandante Ferraz, localizada na Ilha do Rei George. Realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, a missão buscou analisar os efeitos das mudanças climáticas sobre o regime hidrológico do continente, investigando a interação entre água de degelo, lagos, rios, atmosfera, solo e oceano.
Nesta etapa, pesquisadores brasileiros também rastrearam a presença e o percurso de poluentes, avaliando impactos ambientais globais. Um dos destaques do trabalho foi o monitoramento de microplásticos e substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS), contaminantes transportados por correntes oceânicas e atmosféricas, que sinalizam níveis preocupantes de poluição mesmo em regiões isoladas como a Antártica.
Microplásticos, definidos como partículas sintéticas menores que 5 milímetros, são provenientes de produtos industriais e degradação de plásticos maiores, poluindo ecossistemas e podendo atingir humanos pela cadeia alimentar. Já as substâncias PFAS, presentes em produtos como cosméticos e embalagens, são ligadas a riscos de câncer, problemas hormonais e reprodutivos.
O projeto “Interfaces”, que envolve ainda o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto Oceanográfico da USP e a liderança da Unifesp, busca entender o transporte e os processos biogeoquímicos de substâncias naturais e antropogênicas na interface terra-mar da Antártica. Participaram deste ciclo o pesquisador Ricardo Passos, do Serviço de Análise e Meio Ambiente do CDTN, e a geóloga Ana Clara Ferreira.
Segundo Passos, foram aprimorados métodos e estratégias de coleta nesta expedição devido às condições extremas, incluindo o monitoramento de radônio e ajuste na frequência de amostragem. “A expectativa é expandir as amostragens e testar melhorias metodológicas para compreender com maior clareza os processos ambientais e a dinâmica de contaminantes no contexto das mudanças climáticas”, afirma.







