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Cabo Verde sedia Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica com foco em inclusão


Da redação

A cidade da Praia, capital de Cabo Verde, sedia até este sábado o I Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica. O evento reúne funcionários da ONU, autoridades, acadêmicos e agentes culturais de vários países para debater identidade, memória e diversidade no espaço atlântico, com foco na valorização da diversidade como elo entre comunidades.

O principal objetivo do encontro é aprofundar a reflexão sobre o patrimônio cultural partilhado, reforçando as conexões entre as comunidades crioulas e o restante do mundo. Segundo os participantes, o evento funciona como um manifesto em favor da união, tendo a diferença como fator de fortalecimento, não de separação, conforme destacado durante as discussões.

Diante dos desafios globais atuais, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em mensagem exibida na abertura que Cabo Verde é “um ponto de ligação entre continentes” e elogiou a reunião internacional. Para Guterres, “este Encontro Internacional da Crioulidade brilha como um raio de luz, promovendo uma linguagem de encontro, de dignidade e de pertença”.

Ainda segundo Guterres, Cabo Verde se destaca ao reunir vozes diversas, mostrando como a cultura atravessa oceanos e aproxima sociedades por meio de ritmos, tradições e histórias. Ele reforçou que a diversidade não separa, mas sim representa “uma oportunidade para construir laços mais fortes e reafirmar a humanidade comum”.

Para Patricia Portela de Souza, coordenadora-residente da ONU em Cabo Verde, a crioulidade é uma ferramenta viva de inovação social e está alinhada aos valores das Nações Unidas. Ela destacou: “A crioulidade apresenta-se como uma proposta afirmativa e transformadora. Ela mostra que é possível construir a partir da diversidade, que a diferença não divide”.

No contexto da Agenda 2030 da ONU, Patricia enfatizou a importância da inclusão, afirmando que sociedades crioulas historicamente situadas às margens transformaram-se em exemplos de resistência e convivência. Segundo ela, o evento marca uma nova percepção das raízes partilhadas pela humanidade, inspirando a comunidade internacional a promover paz e prosperidade por meio da compreensão mútua.