Da redação do Conectado ao Poder
Após dois meses de disputa no PSD, governador de Goiás é oficializado como pré-candidato ao Planalto e faz acenos ao bolsonarismo
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi anunciado na segunda-feira (30), em São Paulo, como caiado pre-candidato do psd à Presidência da República nas eleições de 2026 e, durante a entrevista coletiva na sede do partido, criticou a polarização política no país, atacou o PT e enviou recados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também colocado como pré-candidato ao Planalto.
O anúncio foi feito pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, após um período de disputa interna que envolveu outros governadores. De acordo com o partido, Caiado foi definido como o nome da legenda para a corrida presidencial depois de conversas na cúpula e da desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., que era um dos cotados.
Ao abrir o encontro com jornalistas, Kassab afirmou que a escolha entre Caiado, Ratinho Jr. e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi “muito difícil” e chamou o cenário de “privilégio” para o PSD. Caiado, por sua vez, disse que soube da decisão em uma ligação de Kassab na noite de domingo (29).
Em sua primeira fala após ser oficializado como pré-candidato do partido, Caiado declarou que pretende atuar para reduzir tensões políticas e afirmou que a polarização “não é um traço da política nacional”, mas “um projeto político sustentado por quem vive da polarização”. Segundo ele, “o Brasil não suporta mais viver essa situação que tem sido constante”.
Durante o discurso, o governador também fez aceno ao eleitorado bolsonarista ao dizer que, caso eleito presidente, seu primeiro ato será conceder anistia “ampla, geral e irrestrita”, mencionando que a medida beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil, ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente. Eu estarei dando uma amostra que a partir dali eu vou cuidar das pessoas”, afirmou.
Na sequência, Caiado direcionou críticas ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a gestão petista retarda o crescimento do país. Ele também disse que o PT “não é mais opção” em estados como Goiás, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Ao comentar o cenário eleitoral, Caiado citou diretamente a disputa com o PT e fez referência ao campo político ligado ao bolsonarismo, hoje representado, segundo ele, por Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. “É importante que todos entendam que o desafio não é apenas derrotar o PT. Isso é fácil. No segundo turno ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no País”, disse.
O governador ainda questionou a capacidade administrativa dos adversários ao afirmar que vencer a eleição não seria o principal obstáculo. “Ganhar do PT não é mais a dificuldade. Agora, vai saber governar? Ou vai querer aprender a governar o Brasil na cadeira?”, declarou.
Ao comparar sua gestão em Goiás com a condução federal, Caiado citou iniciativas estaduais e afirmou que sua administração se destaca em áreas como desenvolvimento, uso de inteligência artificial e exploração de terras raras. Ele também declarou que sua gestão busca ampliar a autonomia econômica da população. “Nós não nos vangloriamos das pessoas que dependem dos benefícios sociais, nós nos vangloriamos daquelas pessoas que conseguem sua própria renda”, afirmou.
O pré-candidato disse ainda que pretende apresentar um projeto que, segundo suas palavras, “fura a bolha” dos extremos. Ao mencionar índices de avaliação de seu governo, declarou que “ninguém atinge 88% de aprovação sendo radical”, em referência à aprovação de suas gestões no estado.





