Da redação
A Câmara dos Deputados alcançou, pela primeira vez, mais de 20% de presença feminina, totalizando 109 deputadas eleitas. No Senado, foram escolhidas 12 mulheres, superando o recorde anterior de oito. O avanço, no entanto, vem sendo debatido, pois parte significativa dessas novas eleitas pertence ao PL, partido de direita.
Segundo a cientista política Malu Gatto, da University College London, a ampliação da representatividade feminina não evita divisões internas: “Há temas dogmáticos, como direitos reprodutivos, orientação sexual e identidade de gênero, em que feministas e deputadas conservadoras se opõem.” Gatto afirma que mais eleitas conservadoras podem significar votos contrários a propostas feministas.
Como exemplo, ela cita Eduarda Campopiano (PL), deputada estadual mais votada de São Paulo, que se apresenta como antifeminista e defende a investigação e fechamento de clínicas que realizem abortos ilegais. Por outro lado, Gatto ressalta que existem pautas de convergência, como o combate à sub-representação feminina e à violência contra a mulher, embora haja divergências quanto às soluções — parlamentares de direita defendem punições mais rígidas, enquanto as de esquerda contestam o viés punitivista.
O aumento da bancada feminina é atribuído, em parte, ao PL Mulher, iniciativa estruturada por Michelle Bolsonaro a partir de 2022, voltada ao recrutamento e apoio a candidatas. O formato prioriza encontros em pequenos grupos, realizados em casas, semelhante a reuniões de células religiosas, facilitando a participação de mulheres com múltiplas responsabilidades. Segundo Gatto, a estratégia contribuiu para que eleitoras conservadoras tivessem mais alternativas femininas nas urnas.




