Por Sandro Gianelli
Aprovado com apoio da direita e rejeitado pela esquerda, o projeto que autoriza o uso de câmeras nas escolas públicas do DF pode ser um avanço na proteção de professores e alunos

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, em primeiro turno, o projeto que autoriza a instalação de câmeras de vídeo e áudio em salas de aula da rede pública. A proposta, de autoria do deputado Thiago Manzoni (PL), dividiu o plenário: partidos de direita e centro votaram a favor, enquanto a esquerda rejeitou a medida sob o argumento de que ela “criminaliza” os professores.
A resistência da oposição chama atenção porque o projeto, na prática, tem potencial de proteger justamente quem mais sofre com a violência escolar — os docentes. Nos últimos meses, professores foram agredidos por pais e alunos, e também houve casos em que estudantes foram vítimas de excessos cometidos por educadores. Em ambos os lados, faltou o que mais se espera em situações de conflito: provas.
Manzoni citou no plenário o caso recente em que o pai de uma aluna desferiu nove socos em um professor após uma bronca por uso de celular. “Segurança se faz com vigilância. Câmera de vigilância não é sobre repressão, é prevenção”, disse o parlamentar. A proposta garante que apenas a direção da escola poderá decidir se adere ao sistema e que as gravações só serão acessadas por ordem judicial ou mediante solicitação do Ministério Público, da polícia ou do próprio professor.
Ainda assim, partidos de esquerda e o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) rejeitaram a iniciativa. O deputado Gabriel Magno (PT) afirmou que o Estado deveria priorizar investimentos em infraestrutura, contratação de profissionais e políticas de acompanhamento psicológico antes de adotar o videomonitoramento. “Não tem água, não tem quadra coberta, não tem laboratório, não tem internet. Isso tem impacto na violência”, afirmou.
A crítica é legítima ao apontar as carências da rede pública, mas ignora que uma medida não exclui a outra. As câmeras não substituem investimento em educação, mas complementam políticas de segurança, dando respaldo a professores e alunos em casos de conflito. O discurso da esquerda, ao classificar o projeto como uma tentativa de “criminalização da categoria”, acaba confundindo controle com proteção.
Há inúmeros exemplos recentes que mostram o quanto a ausência de registros prejudica tanto educadores quanto estudantes. Em Taguatinga, um professor e um aluno trocaram socos dentro da sala; no Guará, um docente foi filmado dando um tapa em um aluno. Em ambos os casos, as versões divergiram. O mesmo acontece quando professores são acusados injustamente de agressão ou discriminação. As câmeras, ao contrário do que temem os críticos, podem ser aliadas da verdade.
O que se vê é uma resistência ideológica que fala mais alto que a análise prática. Para a direita, o monitoramento é uma ferramenta de prevenção. Para a esquerda, uma ameaça à liberdade pedagógica. Mas o fato é que a violência escolar não tem lado — atinge tanto quem ensina quanto quem aprende.
Ao rejeitar uma proposta que poderia proteger os próprios professores e tornar o ambiente escolar mais transparente, a oposição acaba alimentando um debate político quando o tema deveria ser humano. Segurança e educação não deveriam ser pautas de direita ou de esquerda, e sim compromissos de todos.




