Da redação
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planejam transformar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no principal tema da agenda internacional nas eleições de 2026, segundo apuração do Estadão/Broadcast. A estratégia busca neutralizar o discurso da direita bolsonarista e minimizar questionamentos sobre temas sensíveis.
O governo avalia que a prisão de Nicolás Maduro, no início do ano, enfraqueceu o potencial de desgaste eleitoral da relação com a Venezuela. Além disso, a negociação para retirada de tarifas impostas a produtos brasileiros pelo governo norte-americano é considerada um trunfo na condução das relações bilaterais.
A relação cordial construída entre Lula e Trump, após breve encontro na Assembleia da ONU em Nova York, é vista como positiva para rebater críticas da oposição, tradicionalmente alinhada ao trumpismo. Para o cientista político Guilherme Casarões, da Florida International University, a atuação de Lula junto a Trump fortalece sua imagem de estadista, embora ele ressalte a importância do foco em questões internas para ganhos eleitorais.
Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, avalia que Lula tentará equilibrar agendas interna e internacional, destacando que o presidente “divide o tempo entre a agenda interna e a externa”, visando ganhos econômicos e políticos. Auxiliares do presidente indicam que a agenda internacional será reduzida com a aproximação das eleições, e que viagens à Ásia, Alemanha e EUA podem ser os últimos compromissos antes da campanha.
Além disso, aliados apontam o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia como reforço à agenda internacional. Críticas iniciais sobre as viagens externas de Lula perderam força, especialmente após a ida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aos EUA para apoiar tarifas de Trump contra empresas brasileiras.






