Da redação
O Distrito Federal registrou 231 candidaturas femininas para as Eleições de 2026, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral atualizados na manhã de sexta-feira (21/8). O número representa 35,3% das 655 candidaturas no DF, sendo pouco mais da metade das 424 candidaturas masculinas.
Em comparação com 2022, houve redução de 85 candidaturas femininas no DF, uma queda de 26,9%. Apesar disso, a participação proporcional das mulheres se manteve estável: passou de 35,4% para 35,3%. Das 231 mulheres, 151 concorrem a deputada distrital, 64 a deputada federal, quatro ao Senado, três ao governo, quatro a vice-governadora e cinco à suplência. Entre as postulantes ao Palácio do Buriti estão Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e Professora Samara Mineiro (UP).
Isabela Damasceno, advogada e conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais, avalia que a desproporção nas candidaturas se deve a fatores estruturais, incluindo dificuldades de acesso a financiamento e ausência de redes de apoio. Entre as mulheres registradas, 49,4% se autodeclaram negras: 77 pardas e 37 pretas. A presença de mulheres negras, para Isabela, reflete mobilização de coletivos e conscientização sobre identidade étnico-racial, ainda que tenha havido redução em relação a 2022.
A legislação determina que partidos devem garantir ao menos 30% de candidaturas e recursos para cada sexo, segundo a Lei nº 12.034/2009 e normas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Embora as cotas assegurem presença mínima nos registros, Isabela acredita que são “insuficientes como instrumento de transformação substantiva”. Ela aponta desafios como fraude à cota, distribuição desigual de recursos e ausência de sanções que inibam descumprimento, defendendo mudanças culturais nos partidos.




